interessado em alguma bobagem

domingo, 22 de julho de 2012

deturpação entre 4 paredes / a dedetização reversa / é público / temor da rua / tá com medinho? / é preciso estar atento e forte! / o “Pirigo”, tá lá

 

FATO: 

“Em razão da deturpação da finalidade, o evento semanal “Grande Hotel vive o Choro”, de iniciativa da Prefeitura de Goiânia, será suspenso a partir de hoje (20/7) e passará por uma reformulação.”

Fonte: Ministério Público de Goiás.

CONTRA FATO:

“Quem saiu de casa nesta sexta-feira (20/7) com destino ao Grande Hotel para assistir às apresentações culturais ao ar livre do projeto “Grande Hotel Revive o Choro” se deparou com uma operação de policiais e guardas, carinhosamente apelidada por mim de operação dedetização. O Chorinho foi suspenso e deve passar por reformulação. Esses policiais estão por lá para dar o recado ao “público-problema” (nas palavras de um coronel) e limpar a área. Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Secretaria de Cultura e Corpo de Bombeiros foram quem decidiram por esta suspensão em reunião. Antes mesmo da reformulação, eu digo a todos vocês que participaram dessa reunião, enquanto cidadã, da perspectiva da platéia e artista, de quem sobe ao palco: vocês tomaram uma decisão errada.


A justificativa pela suspensão do projeto, de acordo com a nota do Ministério Público é a “deturpação da finalidade do evento”. Reescrevo para vocês, com todas as palavras do documento. “A reformulação visa garantir segurança ao público que aprecia o ritmo musical, retorno da tranqüilidade aos moradores daquela região e, em especial, coibir as diversas irregularidades e atividades criminosas que estão acontecendo no local, como tráfico e uso de drogas, venda de bebida alcóolica a adolescentes, perturbação ao sossego público, prostituição, entre outros”. Eles reclamam, ainda, do público que permanece no local, ao fim dos shows, fazendo som com atabaques e tambores.


Eu não sei qual Centro os participantes dessa reunião vêem pela noite quando por lá circulam. O que eu vejo, há muitos anos, é um bairro cheio de história, em cada esquina; beleza e nostalgia em cada Art Déco, mas que vem sendo jogado às moscas. Um espaço em que há, por todos os cantos, prostituição, tráfico e uso de drogas e adolescentes bebendo álcool. Um setor que, ao fechar das portas do comércio durante o dia, se torna um setor perigoso e desumanizado. Os problemas, identificados no Chorinho, simplesmente moram no Centro.


De dar medo de esperar por ônibus na Avenida Tocantins depois de assistir a uma peça no Goiânia Ouro. De apresentar perigo estacionar na Rua Dois e descer a pé até a Avenida Goiás. Com ou sem Chorinho. É esse o Centro de Goiânia. O projeto “Grande Hotel Revive o Choro” era o único projeto cultural permanente (digo por ser semanal) nas ruas, de cunho público e gratuito. E mais, central, com a possibilidade de atrair pessoas de todos os cantos da cidade. Esse projeto era uma das únicas esperanças de se começar a humanizar a noite desse Centro, porque começa pelas ruas. E todo mundo tem medo do que acontece nelas. Por quê? Porque é lugar de todo mundo. De rico, pobre, drogado, prostituta, gays, héteros, idosos e crianças. E isso assusta.


O primeiro parabéns que recebi no último show dos Passarinhos do Cerrado, que por acaso foi na última edição do Chorinho antes da suspensão (última sexta 13), foi de um mendigo. Ele estava emocionado com o show, bêbado e, depois de me dar parabéns, pediu a cerveja do meu amigo que conversava comigo. E saiu, sem atrapalhar ninguém. Esse mendigo não assistiria a esse show se não fosse nas ruas. Mesmo que de graça, ele não entraria nem no Goiânia Ouro, nem Teatro Goiânia nem mesmo dentro do próprio Grande Hotel. E todo mundo sabe disso.


A rua é temida em Goiânia. O espaço mais difícil de se ocupar; ainda mais culturalmente. Ou alguém aqui se esqueceu do Carnaval de 2009 quando havia festa nas ruas da Avenida Araguaia e artistas e público foram agredidos por Policiais Militares de forma absurdamente covarde? A justificativa daquela vez (assim como desta do Chorinho) era esse tal “público-problema”. O público que aparece quando as festas são nas ruas. O público que está sendo varrido nesse momento.


E, ainda, qualquer manifestação cultural que provoque barulho em Goiânia tão logo é taxada de “perturbação ao sossego público”. E quem disse que o povo daqui quer sossego numa sexta depois de expediente? As três mil pessoas que estão nas ruas da Avenida Goiás querem arte. Querem se divertir. E arte não é, nem nunca será sinônimo de sossego. Até quando o sossego público será mais importante que as manifestações artísticas? E, todos nós sabemos bem, que o local é muito mais comercial que residencial. Deve haver muito mais moradores reclamando de barulho e perturbação Marista e Bueno afora.


Caros participantes da reunião que tomaram essa decisão, a operação que vocês deveriam empreender era a de combater todas essas criminalidades apontadas na nota que acontecem em todo o Centro, onde sempre existiram, diariamente, há muito tempo. E isso não se faz com a força da polícia. É um problema que envolve todo o Estado. Vocês não vão suspender esses problemas ao suspender o Chorinho. E se por acaso estão pensando em levar o projeto para algum lugar fechado (ainda que público, ainda que gratuito), já digo, não será o Chorinho, será qualquer outra coisa cultural. Não será democrático da mesma forma.


Não será justo com os goianienses que há muitos anos batalham por esse projeto e por esse espaço (passando pela compra do Grande Hotel pela prefeitura quando INSS era o proprietário e queria transformá-lo em agência e pelo enfrentamento dos escândalos de corrupção dentro da Secult que paralisaram o projeto). Não passará de uma covardia, esquivando-se da rua e dos seus problemas. Vocês estarão fechando os olhos para os problemas que habitam o Centro há muitos anos e que, inevitavelmente, estariam presentes no Chorinho.


O que deve ser compreendido é que o Chorinho está aí para humanizar o Centro. É uma das ferramentas para combater todas as criminalidades que lá existem. O Centro deve ser, cada vez mais, ocupado e não temido. Num raio de dois quilômetros temos: Teatro Goiânia, Teatro Rio Vermelho, Goiânia Ouro, Mercado Central, Mercado da Rua 57, Martim Cererê e Grande Hotel. Os espaços não dialogam entre si. E, pior, mais da metade está parada ou com má ocupação cultural. E um dos únicos projetos ainda em funcionamento está, a partir de hoje, suspenso. Porque as ruas são temidas assim como certos tipos de cidadãos que as ocupam irrestritamente. O Centro e as ruas devem ser, cada vez mais, humanizados e não dedetizados.”

Fonte: Coluna de Nádia Junqueira no site – aredação.

(grifo meu)

REVERÊNCIAS:

 

Nádia Junqueira

Com ou sem Chorinho. É esse o Centro de Goiânia.

IRONIAS / FALSAS VERDADES / VERDADES INCONVENIENTES:

Demóstenes Torres volta ao trabalho no Ministério Público de Goiás

Senador cassado passou duas horas no órgão, na manhã desta sexta-feira.
Ele preferiu não falar com a imprensa e recebeu a visita de um promotor.

Fonte: G1-Goiás

 

ODE:

.

PARA QUEM SE PREOCUPA :

com que roupa?

Pois é….

 

CONCLUSÕES:

O Marconi Perigo tá lá!

É preciso estar atento e forte!

E,

o Ministério é Público!

“Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte ”

-

“Atenção, precisa ter olhos firmes”

Há tempo de temer

que a admiração transforme-se em decepção.

domingo, 15 de julho de 2012

releituras: esquivando da verdade do mundo imundo / esperança / cometendo a eutanásia de meu escudo

 

Para ser compreendido

Cada estrofe é inevitável

---livre---

643 dias depois de “incorretos sob perspectiva de Deus

Eu transcrevo o texto de 11/10/2012:

 

incorretos sob perspectiva de Deus

MULTIDAO

hoje morreram Antônios, Marias e Robertos

Terezas, Paulos e Júlias.

hoje morreram pais, mães, tios e avós.

Irmãos, netos e filhos.

mas, hoje sou um pouco menos desiludido de gente

hoje sou mais velho escorrendo pelos dedos antes de chegar ao gozo

lembrar de gente que nem ao menos ouviu meu verborrágico “oi”

estúpida humildade sórdida de pensar que não estou sozinho

Hoje eu choraria em festa, mas resolvi dançar em velórios.

Enfastiado, morro, cada dia, um pouquinho mais, e mais.

Pareço plástico. Rígido, limitado.

Que tirem meus documentos.

Sucumbo ao fracasso de cada esquina em que as prostitutas fumam.

espatifado por veracidade falsa,

minha identidade me pega… me sova… me julga…

esbarro em foragidos da verdade de mundo

imundo

realidades abstratas de sonhos que não acredito

e não acreditar em sonho

é morrer um pouco mais

e mais

e mais

depois há, ainda, um outro mal-estar de descobrir que o coração bate

de descobrir súbitas mentiras para ti mesmo

e morrer um pouquinho mais.

eutanásia é o cúmulo de lucidez

e Dostoievski me disse que quando se perde o medo da morte se é Deus.

meus, momentos, filhos sem pai, órfãos

hipócritas tratam seu ofensor com bondade

contundente é saber que eu morrerei sem entender absolutamente nada do mundo.

dos homens.

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( eu escrevo o que quero que não entendam, mas cada palavra tem seu dicionário interior, seu medo, sua fúria, seu pecado, sua verdade e sua mentira. tudo bem, não sinta meus olhos e nem estenda-me os olhos )

---livre---

E depois, antes e agora:

[...]Sem esperança esses "nós" desistem. Eu sei que não se pode viver só de esperança, mas sem esperança não vale apena viver

Harvey Milk

 

Harvey Milk–Hope

---livre---

Tradução da aceitação do Oscar de melhor roteiro original pelo filme MILK para Dustin Lance Black...


Ele disse:

“Quando eu era pequeno minha mãe me retirou da igreja (conservadora) dos mórmons no Texas e me mostrou a historia de Harvey Milk na Califórnia. Isso me deu esperança que eu poderia viver a minha vida, viver a minha vida abertamente sendo quem eu sou e também me deu esperança que um dia eu poderia sentir amor também e se casar...”

Aplausos...

“Eu gostaria de agradecer a minha mãe que sempre me amou do jeito que eu sou mesmo ela tendo sofrendo pressão para não me amar assim...”

Pausa...

“Mas o mais importante de tudo, e que se a 30 anos atrás Harvel Milk não tivesse sido tirado da gente (ele foi cruelmente assassinado por homofobia) ele gostaria que eu dissesse agora para todos/as crianças, jovens e adolescentes lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais por todo o mundo os quais escutaram das igrejas e do governo ou pelas próprias famílias que eles não tinham valor, Harvey disse que nos todos somos criaturas maravilhosas e temos valores incríveis e não importa o que qualquer pessoa diga sempre saiba que DEUS te ama e eu te prometo que mais cedo do que tarde nos teremos direitos iguais em nossa grande nação a nível federal. Thank you e obrigado a Deus por ter nos dado Harvey Milk”.

Aplausos...

Fonte: http://milk.gay1.com.br/

---livre---

Mas há esperança:

http://quemsaoeles.tumblr.com/

---livre---

difícil distanciar-se da proteção do armário

Mas há de se ter coragem

Ser homem

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/01/pedro-e-joao-historia-de-dois-meninos-gays-e-uma-infancia-devastada.html

Ser “Pedro” não é fácil.

228 comentário em 6 meses

---livre---

São por eles:

https://homofobiamata.wordpress.com/

---livre---

É com um nó na boca do estômago

Que eu fecho esta postagem

Não quero sentir saudades do meu armário.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

3 doses agridoces de ontem e hoje

1

Eu sou um fumante inveterado. Mais de 20 doses da vitamina nicotina diárias. Ontem, aguardando meu hexaedro de alcatrão, na fila de uma loja de conveniência de posto, presenciei um diálogo de um casal, que comprava 3 cervejas “Crystal”:

Ela: - Seria melhor ( algo inteligível em função de uma voz trêmula e submissa)…

Ele: - Se você não sabe não fala. Para de ser burra… que porra… (percebendo uma pressão demasiada vindo da mão masculina de dedos rudes)

Ela, negra, de aparência humilde, cabelos alisados e ressecados, pele sofrida, chinelos velhos e puídos, direcionou um olhar discreto, verificando acaso alguém percebera aquele afronta, insulto, assédio de alma… “burra” percebeu meus olhos e direcionou um olhar vulgarmente profundo para a lajota fria, tão muda quanto seus lábios ressecados.

As moedas, que recebia como troco, manifestaram uma vibração tímida. Era compaixão?

Bruto e tosco, homem, abriu uma lata de cerveja, ajeitou as outras numa sacolinha de plástico, arrastou seu objeto sexual. Mal sabia ele, quão pesado era o rancor acumulado naquele “ser-buraco”.

Saindo da loja de conveniência, recebi um olhar pungente da submissa senhora. Era um grito, mudo, de socorro, de vergonha.

Ele, com a latinha de cerveja na mão, guiava um carro popular.

Para onde?

Não sei.

 

2

lagarta

Almoço com muita frequência num restaurante bem próximo de onde trabalho. Com colegas, amigos, deglutimos o tempo com sabor de amenidades, questões salariais, atualidades, experiências, sutilezas, sorrisos, pecados, confissões, sarcasmo…

Voltamos, lentos, caminhando, digerindo as impressões de mais 4 horas de labuta vindouras.

Hoje, adocicamos a alma apreciando o movimento coletivo de larvas, feias, de borboletas. Apimentadas de medo, temperavam a impressão de poder, deslocando-se juntas.

Eram fome de coragem. Destemidas, juntas, eram saciedade.

 

3

lote

Volto contemplativo de vida. Volto vicioso pra casa, após laudos, reuniões, trabalho.

Só, naquele trajeto de lote baldio, de chão de terra, irregular pela força do tempo, como em movimento involuntário de passo ante passo, é ali que eu planejo o resto de vida, os resquícios de sol, a poeira da noite.

Sempre, neste caminho, travo embate com a presença de um morador de rua, invisível, barba e cabelos desgrenhados de transpiração, migalhas, sacrifício de acordar, morrer percorrendo as trechos de vida, morto social,  abatido por carro do ano transfeito em espelho de banheiro, maculado pela invisibilidade de seu reduto, seu lar, ser assim tão amplo. E toda aquela amplidão de lotes baldios, ruas, avenidas, viadutos, marquises de supermercados são suas grades.

Preso.

Hoje, aquele homem, num lote baldio,  feito criança, empinava uma pipa. Os olhos brilhavam mirando um compilado de varetas de bambu e papel de seda vermelho. Sua redenção.

Hostil, sua verdade de dentes puídos, expostos. O embate, era invisível, como fora ele, durante tanto tempo. Ele era o gladiador que apunhalava violentamente meus conceitos. Vil, apunhalava um garoto, loiro, que dentro de um carro de luxo, alvoroçado, chamava a atenção de seu pai para aquele homem feito, criança. Aquele sorriso era a detenção daquela criança. A pipa, por segundos, foi o fluido, quente, que correu pelas veias daquele homem.

Dias atrás, eu vi aquele homem chorar, recostado ao viaduto.

Tímido, ousei ser povo, e fingi para mim, não ver.

Hoje, foi eu, ferido,  que fingi não chorar.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

outras memória de página de caderno envelhecido

Dia difícil.

Recusei o convite para um jantar muito aguardado na casa de amigos. Em busca de iguais, de colo, justiça. Encontrei o fator “política”. Com uma boa quantidade de frustração, cheguei em casa, resolvi voltar ao tempo e escrever coisas boas, como eu escrevia nas minhas últimas páginas de caderno. Não bastava um teclado. Eu precisava de contato, traço.

Esgotado, faltou inspiração.  Faltou disposição. Sobrou a necessidade de coisas boas. Foram as redes sociais que me acolheram com citações.

Interessante, minha grafia é tão diferente de antes. Letras de forma, maiores, substituíram a cursiva que causava miopia aos professores de Ensino Médio. Traços determinados, crentes no possível.

Parece que eu também cresci. Minhas reações estão mais “planas”, sem os vincos comuns dos impropérios, sem os rompantes.  Todo aquela expectativa de mimetizar-me, camuflar-me, transformou-se em disposição de “sangue nos olhos”, vontade de ir a luta, após constatação de que os contos de fada, não se assemelham aos contos de fada.

Estou maior, já faz um bom tempo que percebo isso. Talvez seja a proximidade dos meus 30 anos. Talvez, apenas a constatação de que o adjetivo “balzaquiano” é mais andrógino do que parece.

Talvez, também tenha havido um “upgrade” no meu HD direcionado ao rancor, frustração, hombridade e paciência.

Houve um tempo, em que a atual conjectura,/ me faria arrancar cabelos, ter vontade de pular do prédio, beber, chorar muito. Não que não seja mais necessário, não que não seja mais possível, mas eu levo a vida tranquilo. Punhal entre os dentes. E as lágrimas substituídas por sangue. Sangue de dor, orgulho.

Sim, eu tenho orgulho.

Vontade.

 

inteirainteira2trecho1trecho2trecho3trecho4

domingo, 17 de junho de 2012

lembretes e conceitos abolidos nos trilhos dos valores de um parque infantil

224933_431564253532558_1117558449_nEstou tentando me ater a esquecer conceitos

Da moral instituída

Dos valores estipulados

Empurrados goela abaixo.

Indigestos.

blo 1

Perdemos nosso tempo analisando o intangível

Felicidade

Tristeza

Saudade

quero ser gargalhada

quero salgar a terra com lágrimas

quero me arrepender do feito

quero marcas

cicatrizes

pele e gozo

blo 2

Procuramos o novo,

extraordinário.

 

Vale a pena?

 

Está ali

corriqueiro

vulgar

safado

trivial

bandido.

Tão banal e inútil

que escorrega

liso e raso.

 

Isentos de culpa,

Divagamos

deixamos nosso pensamento ao sabor do vento

Perambulamos entre caminhos intricados

numa dimensão que está dentro do arquivo das lembranças

Idealizamos demais.

Esquecemos que é isso.

Irresolutos de viver

fluidos e instáveis

deixamos escapar.

Momentos desinteressados.

blo3

 

do jeito que eu quis

e não da forma como os outros quiseram.

 

 

blo4

Ontem senti o pulsar do peito

abraço amigo.

Praça Cívica

adulto

demaquilei os dedos em riste

parquinho de criança

o vento no cabelo rijo

relevei o que os outros pensam

sobre trilhos

Sem escolhas

o vento feriu meu glamour de possuir pelo no púbis

 

Não havia felicidade

Havia sorriso

Havia verdade

Momento desinteressado.

 

O primeiro post deste blog foi intitulado ventava

no carrinho

sobre trilhos

 

“Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar

Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral

Amém.”

num parque infantil

ventava

sorrisos

lembranças

meu pai me acompanhou na primeira volta de montanha russa…

parque de interior de minas

 

frio no rosto

saudade de pai

de casa

resultado do passar do tempo

 

dos trilhos restou o gosto amargo de ressaca

nos trilhos

contrariamos

o conceito de pai com filho no colo

o conceito  “moral”

o conceito “família”

Minha camisa rosa sobrepondo regata azul

não era foco

inconvenientes olhares

tiros de 12

sussurros

os toques fugazes, tímidos e temerosos

ultraje

afronta

meu sorriso

inapropriado aos costumes

 

"conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada" (Aurélio Buarque de Hollanda)

 

Dois homens

Duas mulheres

bocas marcadas por sorrisos sobrepondo lágrimas

marcadas por teor adulto

sujas

vulgares

sagazes

sedentas de socorro

aflitas por carinho

transfiguradas em abolição

da propriedade privada

“julgar”.

 

Úteros e falos

perto demais.

 

Ouvidos atentos

às bocas que pronunciam “Amém”

 

Ser diferente não é fácil

Combalido caminhar entre o conceito do certo

ser errado

mancha

Sou nódoa

Pecha do que se espera de um falo

 

Acaso sou o fato?

Sou lance do que ocorre entre minhas quatro paredes?

Sou o resultado de quem deita ao meu lado?

Cuspe na face da hierarquia

Escarro no seio familiar.

 

Sou o acidente nas cartadas da vida

Não lembro como cheguei em casa

bebi a vida.

 

Eu

nunca disse “eu te amo” ao meu pai

Eu corri o risco de sorrir.

pular e dançar

vexar conceito

“ pensam de mim”.

5

 

Fui num parquinho infantil

de lá, pra cá

andei sozinho,

assisti TV,

apreciei uma mariposa

conferi extrato bancário

e entre um débito e uma transferência

fumei meu cigarro

zombei mentalmente de uma senhora com um decote

senti nojo da unha com micose do cara do supermercado

tive desejos mundanos

cocei o nariz

bebi cerveja

chutei uma tampa de garrafa

esperei os carros para atravessar a rua

fiquei nu

cantei sozinho em casa

comi lasanha de micro-ondas

percebi um “roxo” no joelho

tomei um calmante.

6

E o resultado?

Hoje eu me peguei encarando o teto.

A textura, a diferença de tonalidades.

Eu não escrevi lembretes e colei na porta da geladeira.

terça-feira, 12 de junho de 2012

puta-brasillis - 12/06/12 - o dia em que Brasília fudeu os machistas e homofóbicos brasileiros

Desculpem o vocabulário textual,

mas,

a maior afronta,

é o teor do telejornal.

 

[Aplausos]

a vida imita a arte

[aplausos]

As escutas podem ser desqualificadas

[aplausos]

E o Dr Cachoeira será liberado….

[aplauso]

contei o caso do José Ninguém

José Ninguém, preso.

crime?

Fome.

[aplausos]

terra brasillis

no Brazil com Z do celular Demóstenes…

[aplauso]

no dia dos amantes,

enamorados de miséria,

na comemoração do amor

nós que fazemos sexo,

somos fudidos numa degustação de pizza,

repito: Brasil machista fudido.

Brasília é o melhor decreto da Marcha das Vadias.

Pizza.

Regozijo.

Foda.

Regalo.

Pizza.

Como crianças na ciranda de uma foda.

Gozo

Pizza-foda.

"pseudo democracia Brasil"

brasileiro, não desisto nunca...

sado-Brasília

masoquista-povo

[aplauso]

gozo

pornô

gozo

[aplauso]

fantoche-povo

país "pornochanchada"

Fode.

Macho-Brasília

fode

quem não paga ex-ministro

fode

as putas-brasillis

fode

os zé

fode

os pedros e paulos

e fode as putas

putas-brasillis

as minúsculas putas-voto-brasillis

[aplauso]

no final da semana,

as putas comem galinha

e os sado comem a picanha.

picanha dos puta-brasillis

um gangbang bareback

umas 5 ou 6 dezenas de sado-democráticos Brazil.

[aplauso]

febre

nariz vermelho

gripe

febre de aplauso vergonha.

[aplauso]

12 de junho

comemoramos a orgia Brasília.

Não desce a menstruação.

foram estes puta-brasillis

sem anti-concepcional educação

grávidos

fêmeas-putas-machos

homofóbicos

grávidos de estupidez humana.

[aplauso]

parados,

talvez de resguardo...

[aplauso]

As notícias de Brasília

confissão cínica

dos vítimas...

ah, puta-brasillis.

Bem vindos.

Mas o cafetão cobra caro.

E quem nunca sentiu prazer com sexo anal.

Ser puta-brasillis

tomar no cú

não faz mal.

Quando será o próximo período chuca-eleitoral?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

sou brasileiro, no meu inferno, eu não desisto nunca… - Senador, vem ser Brasil– a gente esquece…

não vou para o céu…

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Demóstenes Torres: “Redescobri Deus. Se eu cheguei até aqui, é porque readquiri a fé”

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Não…

eu não vou para o céu…

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Silvio Costa (PTB-PE): "Vossa Excelência passou cinco horas e não conseguiu se explicar ao país. O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa. Ele escreve em letras garrafais: eu, Demóstenes Torres, sou sim membro da quadrilha do senhor Cachoeira, sou sim o braço legislativo da quadrilha do senhor Cachoeira"…. “Se o céu existe, o senhor não vai para o céu porque o céu não é lugar de mentirosos, de pessoa hipócrita"

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Cabe ressaltar:

Silvio Costa (PTB-PE): "Vossa Excelência passou cinco horas e não conseguiu se explicar ao país. O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa. Ele escreve em letras garrafais: eu, Demóstenes Torres, sou sim membro da quadrilha do senhor Cachoeira, sou sim o braço legislativo da quadrilha do senhor Cachoeira"…. “Se o céu existe, o senhor não vai para o céu porque o céu não é lugar de mentirosos, de pessoa hipócrita"

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O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa.

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O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa.

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Obrigado

Sr. Silvio Costa.

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“Se o céu existe, o senhor não vai para o céu porque o céu não é lugar de mentirosos, de pessoa hipócrita"

“Se o céu existe, o senhor não vai para o céu porque o céu não é lugar de mentirosos, de pessoa hipócrita"

“Se o céu existe, o senhor não vai para o céu porque o céu não é lugar de mentirosos, de pessoa hipócrita"

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Não,

eu não vou para o céu.

Não.

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Prefiro o inferno,

ao "silêncio-hipócrita"?

Não…

por favor….

inferno…

No inferno,

a perversão é carne...

O pecado é meu.

E, eu…

não sou santo.

Nem almejo.

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Neopentecostal, católico ou descrente…

Pedofilia é abusar de um país criança…

de um país  “educação-fetal”

Violentar a pueril capacidade do “brasileiro que não desiste nunca”.

(mas esquece)

não é pecado.

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O pior pecado:

silêncio.

Sim,

o “SILÊNCIO”.

O pior pecado:

é esquecer que mês que vem

ou,

depois do feriado de semana que vem,

a gente se esquece…

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É junho…

enamora-me a possibilidade de ouvir o “anjo-Marconi”

12 de junho…

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Oh!

Senador…

vem ser Brasil

curta um pouco o inferno

que o “paraíso-legislativo-executivo-judiciário” nos proporciona

vem ser povo

vem ser gente

vem ganhar salário mínimo

vem ser brasileiro

vem ser Brasil.

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Aliás, o Sr viu?

Hoje o imposto da cerveja aumentou,

o do ar-condicionado abaixou.

Larga o Blue Label

vem beber Cristal.

Curtir ventinho de ventilador.

Escrever voçe com “cê cedilha”.

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Uma pena…

tanto pra lhe  contar

mas,

amanhã,

acordo cedo.

Amanhã,

eu vou “pro trampo”.

Amanhã,

eu vou garantir a minha cerveja do fim de semana.

Afinal,

o imposto aumentou.

Mas,

Senador Demóstenes,

amanhã,

eu vou fazer jus ao meu salário.

E,

agora,

na minha fronha puída,

eu vou me deitar com a consciência tranquila.

Tranquilo,

no meu inferno,

eu posso levar a vida tranquilo.

domingo, 27 de maio de 2012

calculei meu arrojo dissimulado, o resultado: medo

Difícil

suprir expectativas...

sempre tentei...

Mas,

permito meus erros. 

"Errado é aquele que fala correto e não vive o que diz..."

Ando sobre equações imperfeitas,

meus resultados

(sonoras respostas)

nem sempre agradam.

E não há integral ou derivada que me expliquem

Por quê, são meus erros, que me fazem feliz?

Eu sou imperfeito...

incorreto...

“Uma monstruosa aberração

faz com que os homens

acreditem que a linguagem

nasceu para facilitar

as suas relações mútuas.”

– Michel Leiris

E,

sou menos pele,

carne,

abraço

colo...

Sou mais imagem

reflexo das letras de outros

aparições dos livros

da cabeceira de minha cama...

Chão sujo pela ausência de desejo.

Multiplico as expectativas e divido os desejos...

Fracasso das expectativas.

Sou desengano

desapontamento.

e,

sou fome de gente...

vontade de vida…

devaneio de riso…

desvario de  entusiasmo

ilusão de determinação, ousadia, coragem…

Não…

não sou

afoitamento, arrojo ou audácia…

sou medo.

muito medo.

Medo de casa.

sou cigarro no fundo de gaveta adolescente.

camisinha guardada, nunca usada, em carteira púbere

sou o odor de álcool da ânsia de vômito de criança.

sou o perfume de fralda.

sou segredo de fundo de armário...

sou fruto da "teletela", de Orwell

sou fruto do desejo do “que tudo vê”.

não há ruas minhas que eu possa ladrilhar...

há caminhos esburacados,

pedras no caminho,

penhascos,

paredões...

e medo.

Deus é bom e misericordioso?

e eu?

Ausência.

Dói.

"Você é nosso maior inimigo."

Doeu tanto.

Dói.

do mais frágil

...

Dói ainda mais

o prostrar de joelhos...

Mas nunca começamos um cálculo sem o objetivo do resultado.

E eu não sou frágil…

Tempo.

Assim,

como seu preconceito,

em algum lugar,

o amor…

ele está lá.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

habeas faminen / a justiça que a fome do Zé Ninguém comeu.

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Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros.

- Voltaire

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Goiânia

Goiás

Brasil

e 192 milhões de brasileiros.

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Entre eles:

 

untitled

 

 

 

 

Carlos Augusto de Almeida Ramos

vulgo, Carlinhos Cachoeira.

E,

José Ninguém da Silva Santos.

mendigo rua blo

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Cachoeira,

tem crédito no banco.

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Zé Ninguém,

não tem conta em banco.

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Cachoeira,

tem gastos de R$ 589.197,00 no cartão de crédito.

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Zé Ninguém,

pode ter abrigo nas marquises de banco.

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Cachoeira,

declara renda de R$20.400,00

(incompatíveis com gastos)

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Zé Ninguém,

nunca declarou renda.

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Cachoeira,

comanda o jogo ilegal.

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Zé Ninguém,

participa de um jogo letal.

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Brasileiros

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Carlinhos Cachoeira,

jogo do bicho,

caça níqueis,

tráfico de influência,

concorrências casadas,

etc, etc, etc…

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Ontem,

Zé Ninguém saiu do nicho invisível

tornou-se personagem de jornais locais

Ontem,

homem invade cantina de escola,

come pães e bolachas,

dorme e,

é preso em flagrante.”

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Como?

“…preso em flagrante…”

“… detido…”

“…preso em flagrante…”

“… detido…”

“…preso em flagrante…”

“… detido…”

“…preso em flagrante…”

“… detido…”

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(dói meus tímpanos)

é isso…

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Advogado de Cachoeira,

pede adiamento de depoimento em CPI

Zé Ninguém,

expõe as rugas da luta em TV Aberta

Zé Ninguém,

informa que tinha fome.

Zé Ninguém,

escarra na minha e sua cara

Zé Ninguém tinha fome

Zé Ninguém dormiu de cansaço.

Zé Ninguém cochilou depois de pães e bolachas.

Zé Ninguém tinha fome.

Fome.

FOME.

Cachoeira deve ter fome

caviar ou foie gras?

Zé Ninguém só tinha fome.

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Fome é crime?

Sim, é.

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Eu tenho falta de apetite.

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Fome.

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Fome de isonomia de justiça.

Fome de diminuição de desigualdade social.

Fome de vergonha na cara.

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Eu,

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tenho vergonha.

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Fome de justiça.

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Vergonha na cara.

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a inspiração da indignação.

Mensaleiros,

Demóstenes,

Collor,

Georgina....

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meus tímpanos tem fome da palavra preso.

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preso

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preso

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a população tem que ter fome de justiça

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E, Cachoeira, é Brazil?

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E, Zé Ninguém?

Brasil, brasileiro.

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Zé Ninguém dorme na cadeia.

Por quanto tempo?

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Habeas corpus.

Habeas faminen.

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E a Defensoria Pública de Goiás?

Prendam

flagrante

Prendam a fome de Zé Ninguém.

Pois a Justiça.

Ah, que hediondo…

Foi a fome.

A fome de Zé Ninguém que comeu.

demotorres

segunda-feira, 23 de abril de 2012

meu partido é que juntos somos os donos do mundo

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Teoria:

“Um partido político é um grupo organizado formal e legalmente constituído, com base em formas voluntárias de participação, em uma associação orientada para influenciar ou ocupar o poder político em um determinado país politicamente organizado e/ou Estado, em que se faz presente e/ou necessário como objeto de mudança e/ou transformação social.”¹

Eu não pertenço a nenhum partido.

Eu acredito na transformação social.

Eu acredito no poder do povo.

“Poder (do latim potere) é, literalmente, o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força.”²

Eu acredito no poder a revelia da força.

Eu delibero frente as minhas decisões.

Eu temo o medo do poder.

“Democracia ("demo+kratos") é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos — forma mais usual. “³

Eu sou o “patrão” de meus atos.

Eu sou povo.

Eu sei diferenciar o ganho da alma.

“Cidadania (do latim, civitas, "cidade") é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive.”4

Eu tenho direitos e deveres, entretanto, não sou submisso.

Eu sou parte do todo.

Eu falho.

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Desabafo:

Que vergonha.... que vergonha de ser brasileiro...

Enquanto um coronel comanda um Estado, e, recebe ordens de um bicheiro, que, escolhe o comando da PM do estado, esta mesma PM agride pessoas numa manifestação pacífica...

Entretanto, hoje estou mais feliz que ontem.

10.000 pessoas saíram as ruas de Goiânia....

A PM foi covarde.

Foi uníssono o coro: “O ladrão está de lá.”

Interessante, a repressão é mais fácil para quem manifesta, do que para quem governa e desvia...

Neste momento helicópteros da PM sobrevoam Goiânia...

Recebo uma mensagem INBOX perguntando: "O que você ganha com isso?”

(o silêncio que precede o esporro)

Seu “fdp”.

Eu não me machuquei. Mesmo que tivesse me machucado, eu estaria com a consciência tranquila.

Fazendo meu papel de cidadão.

Retira esta sua bunda gorda do sofá.

Não será a CK ou a Cavaleira que lhe tornarão melhor.

Pelo contrário... se eu fosse você, teria vergonha de ser uma planta.

Um inútil.”

Ontem, 21 de Abril de 2012, 14:16 na mídia social Facebook.

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Depois:

2

 

“eu fui!!! ”

 

 

 

“ XXXX vc passou um pouco da idade de participar dessas coisas... Ahhh, esqueci-me de sua formação Petista. Corrupção dos outros é feio mesmo. ”

4

“Faz me rir.... Desculpe XXXX, nem lhe conheço, mas exercer cidadania não tem idade... Te espero na próxima XXXX , hoje eu confesso que me sinto um pouco goiano.”

 

“Nem todos mamamos nas tetas do Estado.... Parabéns aos goianos...”

“Exercer a cidadania??? Acho que está se referindo a fazer politicage5m. ”

3“Eu tenho a vergonha de confessar que fui psdbista no meu período estudantil... Uma pena. Minha família é direita em Minas. Meus pais são afiliados ao DEM. Realmente, minha "politicagem". Que vergonha eu tenho de meu passado Juventude PSDB.”7

“XXXX, não tenho interesse em dialogar com vc. Sou um profissional concursado que trabalha para num Estado muito bem administrado. Minhas palavras iniciais firam dirigidas a XXXX, e só a ela. Fim.”

8

6“Uma pena XXXX, acho extremamente válido diálogos com conteúdo. Diálogos com pessoas que seguem diferentes direções ideológicas. Desculpe-me, mas não posso deixar de imaginar que este desinteresse seja relativo a ausência de argumentos. P...arabéns pelo seu Estado muito bem administrado. Inclusive reconheço "cópias" de um choque de gestão proveniente da administração Aécio em Minas, e, acho extremamente válido. Parabéns aos goianos que não são alienados pela imprensa direcionada goiana. Parabéns a quem saiu pelas ruas de Goiás. Te espero na próxima XXXX....”

“Ok! Fiquei sem argumentos tamanha sua lógica e imparcialidade intocáveis. Bom que pelo menos vc realmente acredita no que 9escreve, porque eu lhe garanto que seus "companheiros" que estão mamando no Governo Federal não acreditam. Fazem o que... fazem por poder e dinheiro, não por ideologia, assim como aqueles que são pagos, coagidos ou iludidos para se fazer presentes em movimentos patéticos como esse que ocorreu aqui na Assembléia.”

“ ué... engraçado... vc não tinha interesse em dialogar comigo... Ademais, não tenho nenhuma simpatia pelo Governo Federal. De "companheiros" petistas faço questão de manter relativa distância. No fundo, XXXX, concorde comigo... independe...nte de sigla partidária, o que temos que concordar é que falta moralidade tanto em esfera municipal, estadual ou federal. E, não há nada de patético em sair na rua desejando isto... Este era o meu objetivo e, acredito, que o da XXXX também. Corrupção deveria ser crime hediondo no país em que o povo grita gol e a manchete principal dos jornais são relativas ao acidente com o filho de um cantor sertanejo. Mas, neste sentido, não posso me manifestar. Sou um mero engenheiro, cujas contas, por diversas vezes, são ignoradas pelos supremos conhecedores das leis. Viva o pais do futebol! Tem a bolada de dinheiro público da Copa chegando... Se não é Delta, é Alfa ou Gama”10

“Caro XXXX, só sei que nessa discussão existem dois lados: aqueles que foram e estão sendo roubados pelos PROFISSIONAIS POLÍTICOS que compram a mídia, o legislativo, a justiça e ganhar de brinde o ministério público; e o lado daquel...es que sabem dos furtos ao patrimônio público e assim são beneficiados por ele.
Como faço parte do primeiro grupo estou cansado de exercer a “democracia” por meio do voto, temos que exercer nossa cidadania de formas diferentes e foi isso que eu XXXX e XXXX – SERVIDORES CONCURSDOS DO ESTADO DE GOIÁS – fizemos hoje pela manhã, e, continuaremos fazendo enquanto esse Estado e esse pais não mudar a forma de fazer política. Se vc XXXX também está do nosso lado venha conosco para as ruas. Se faz parte do outro, entendo os seu argumentos, poucos alias, mas entendo.”

“ O mundo não será destruído pelos que fazem mal, mas por aqueles que olham o mal e não fazem nada!!! (AE)”10

 

 

“ É tosca a tentativa radical e extremista de vcs em dividir os goianos entres os bons e maus, como se essas manifestações politiqueiras fossem um reflexo do que pensa a sociedade. Por que vcs não vão para as ruas processar contra a corrupção institucionalizada nas administrações dos outros partidos?!”

“Idiota é quem partidariza, protesto é a melhor forma de viver a Democracia, ter direito de protestar é a melhor coisa que temos. Se digo isso, foi pq vivi os tempos de terror, quando cada colega na faculdade podia estar te fiscalizando.”

“Caráter, honestidade e hombridade não dependem de partido.”

12“Geeeeente!!!! Que que isso?? Saí um pouquinho e esse face virou um ringue??? XXXX oi!! Tudo bem? amiga!!!! Acho que está meio equivocado quanto à minha pessoa, NUNCA fui do PT ou de qualquer outro partido que seja. Sempre votei na ...pessoa, fosse ela de que partido fosse. Já votei no atual governo, em seu primeiro mandato pois naquela época, quis acreditar que ele fosse fazer a diferença. Ele mostrou-se farinha do mesmo saco!!! bom... eu não sei se já estou velha demais para isso ou para aquilo, só posso te dizer que ainda não morri. E o que vi na passeata foram não só estudantes, mas pessoas de várias idades e segmentos sociais que não aguentam mais fazer papel de palhaço, seja desse ou de qualquer outro governo que seja. Me junto aos meus colegas, os quais prezo muito, XXXX e XXXX, que se já admirava por serem excelentes profissionais em sua área, concursados! agora mais do que nunca... os admiro pela garra, pela luta por acreditarem que podem fazer a diferença e fazer deste um país melhor... e me junto a eles no refrão pra te chamar: venha conosco. você também é concursado. Não está onde está por dever favor a ninguéml Conquistou o seu lugar, com seu próprio esforço. Não precisa fazer média com quem quer que seja. Agora, se quer me atingir por eu ter participado de algo em que acredito, tenha certeza, está perdendo seu tempo. Eu te conheço desse e de outros carnavais, conheço sua história e sua família, e no fundo no fundo, acho que quis somente fazer graça com a situação...”14

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Eu não sou nada

Mas, juntos, somos muito

E, juntos, somos os donos do mundo.

Hoje, eu fiz minha parte

Hoje, eu sou maior e melhor que ontem.

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¹: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido

²:Wikipédia:http://pt.wikipedia.org/wiki/Poder

³: Wikipédia:http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia

4: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania

sexta-feira, 13 de abril de 2012

quando Bukowski me conheceu

“Como qualquer um pode lhe dizer, não sou um homem muito bom.

Não sei que palavra usar para me definir.

Sempre admirei o vilão, o fora-da-lei, o filho-da-puta.

Não gosto dos garotos bem barbeados com gravatas e bons empregos.

Gosto dos homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos.

São os que me interessam.

Sempre cheios de supresas e explosões.

Também gosto de mulheres vis, cadelas bêbadas que não param de reclamar, que usam meias-calças grandes demais e maquiagens borradas.

Estou mais interessado em pervertidos do que em santos.

Posso relaxar com os imprestáveis, porque sou um imprestável.

Não gosto de leis, morais, religiões, regras.

Não gosto de ser moldado pela sociedade.”

Charles Bukowski

de joelhos

olhar que vem do espelho

Infância:

talvez tenha decepcionado meus pais.

Orgulho?

abraço?

 

Ademais,

eu deixei de sonhar.

 

Minha dor é perceber…

que vivemos como nossos pais…

sem sonho

permiti que sonhassem

meus pesadelos

seus sonhos

meu casamento

meus filhos…

 

Fantoche inebriado

felicidade d’outro.

 

Onde perdi-me no labirinto púbere?

 

A opção?

é insinuar que não se opta

é não experimentar

sentimento seu em desfavor

medo de reação

ainda tenho.

 

Confuso

- conversei com ninguém -

e as poluções noturnas deram certeza.

 

Esconder?

- o único do mundo -

 

Hoje ainda sonho.

odisseias

subindo a escada esfacelada da Escola Atenas.

Sonho sentindo medo

dos vão na escada

subindo

- parado -

- rígido e tremulo -

para uma sala de “coleguinhas” de infância

- tão diferentes -

 

É inquestionável

as crianças são más

Quando criança

você não disfarça

seu reflexo é incólume

as manchas

que o envelhecer conferem ao teu espelho.

 

É uma analogia

todos aqueles vãos de escada

eram meus medos-preconceitos

meus

para comigo mesmo.

 

Cerca de 20 anos depois…

eu continuo sendo o olhar pelas frestas

eu continuo o mesmo menino-homem covarde

eu sou a covardia-reflexo.

 

Sempre senti-me solitário.

sinto-me frágil

transpareço minhas angústias.

falta de maturidade suficiente

apesar de não  mais com a sociedade pequena

meu gosto estético diverge

é algo que cresce comigo.

 

Eu

questionador

transgressor

sinto mais desejo

e sambei em cima

de modelo e padrão social

Normas.

- Eu odeio as normas. -

Indigesta é a aceitação de todas elas.

 

Meu maior preconceito é meu.

Meu preconceito meu

Preconceito.

sou o “michê” de minha auto-aceitação.

 

Culpa?

Não

Não há culpa.

Casual é meu sexo

Casual sou eu

Fato é que ser feliz não custa nada

Mito é a possibilidade de ignorar teu trajeto

Verdade é encarar os olhos daquele com quem se depara no espelho

Cinismo é ser casual,

entre mitos e fatos de sua verdade.

Cinismo é ser inteligente.

Solidão é um auto-conhecimento que não almejamos.

_________________

Praça do Cruzeiro, 12 de abril de 2012, 23:56, via bloco de notas do celular. Letra a letra. Após desistir de curtir uma noite de balada. Após passar uma noite agradabilíssima, numa pizzaria, com pessoas que divergem de minha vivência primordial.

Louco é quem me diz que não é feliz….

Sempre é tão bom conversar com você Fernanda.