interessado em alguma bobagem

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

muros sobre os quais minha verdade flutua...


É que sou um pouco antes.
É só isso.
Juro por Deus.
E sou um pouco depois também.


Acontece que sou tão ávido de vida, tanto quero dela e aproveito-a tanto e tudo é tanto - que me torno imoral.
Isso mesmo: sou imoral.


Sou mistério classificado em arquivos de aço.
Tudo se classifica?
E eu? quem sou? como é que me classificam?
Deram-me um número?
Sinto-me numerificado e apertado.
Mal caibo dentro de mim.


E assim vai se indo.
Estou mudo e sem assunto.
Não respeitem meu silêncio.
Sofrimento é privilégio dos que sentem.


Estou tão perdido.
Mas é assim mesmo que se vive: perdido em meandros de tempo e espaço.



Eu sei morrer.
Morri desde pequeno.
E dói... mas como tudo... a gente finge que não dói.
Estou com tanta saudade de Deus.
E agora vou morrer um pouquinho.



Depois eu fumo.



Há verdades que nem a Deus eu contei.
E nem a mim mesmo.
Sou um segredo fechado a sete chaves.
Eu vivo de teimoso que sou.
Eu sou eu, é assim que os outros dizem.
E se dizem, porque não acreditar?
Eu não sou nada.
Sou um domingo frustrado.
Mas tem hora que vou lhe dizer, meu amigo, tem hora que... a vida é um cabelo na sopa.
Estou em instante-já hasteando bandeira.
E eu digo - viva!
Mas sobretudo você que é culpado.
No entanto eu te desculpo.
Não tens culpa de ser tão patético e pungente e juber.





"Essa é uma festa arrancada a ferro e fogo e só nos foi permitido um único dia do ano."

"Depois disso... bem, depois tem a moral, as crianças, o bom senso e somos todos pessoas direitas que não queremos ofender ninguém. Daí, continuamos a frequentar e construir bares com muros bem altos pra não constranger e incomodar essa sociedade tão benevolente conosco."

"...é esmola cívica sim, mas para um miserável qualquer esmola é fortuna."





(descontextos, releituras particulares de textos de internet e citação desmedida de "Para não esquecer - Clarice Lispector")

sábado, 18 de setembro de 2010

despir de estímulos causa-efeito


Nem só o clima reproduz calor.
Resposta fisiológica.
Particular.
Coito.
Prazer.


Uma imagem.
Um estímulo.
Nem sempre um corpo.
Nem sempre um toque.
Há prazeres tênues...


Há prazer em acordar cedo de mal humor e sorrir.
Há prazer em chorar ou rir de desespero.
Há prazer no adeus.
Os maiores prazeres estão no sofrimento.
Porque há de se esperar um sorriso a posteriori.


Não é degenerado
Sentir desejo, excitar-se
Onanismo, masturbação
Algo que se esconde
Se sente vergonha
Vício solitário de estímulo manual.



Impulso natural de todo ser vivo
Impulso em busca de parceiro
Atração sexual
Pederastia?
Ser feliz não depende de você.



Há vínculos objetos.
Há onanismo não solitário.
Há medo de resposta.
Há solidão acompanhada.
Há surpresa em esquina.
Há de haver virtudes tão particulares que mantem-se escondidas.
Há medo de acordar amanhã e não reconhecer o espaço vazio ao lado.

Prazer é medo disfarçado.

sábado, 11 de setembro de 2010

os arranjos de flores que montei na minha vida

Como pode ser bom receber uma ligação às 6:47 da matina?
Pode ser tão bom que não há verbo, advérbio ou substantivo no mundo que defina.
Não é possível definir uma noite de mesa de baralho.
Não ouvir o ruir da vida.
Com quem a pouco se aprendeu a mais que gostar.
É encontrar a vida, o mais importante da vida, justamente no banal.
Aceitar o abraço de quem a pouco julgava.
Mudar preceitos.
Torna-te retrospectiva.
Mostra-te ser o mundo um pouco menos vitral.
Evitar a todo custo qualquer "tipo".
Não dormir.
Manter-se acordado em virtude do peso de um sorriso.
Involuntário.
Largo.
É esquecer o carrasco dos anos.
É uma felicidade truculenta.
Não sentir o retorno pra casa como mero medo de mãe.
Matar fome mamando as tetas da vida.
Aposta de poder ser sorridente e irônico.
...se possível,
Descubro-me envolto de algo ilimitado pela minha vivência...
Amizades intuitivas, singelas...
Passo não racional, por entre olhos.
Marco meu encontro com meu mundo contemporâneo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

é bem assim...

Bem, Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."

ou.... nada pronto...

"Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida."

...

Valeu e vale cada segundo.

sábado, 4 de setembro de 2010

as nuvens que estão ali

um único amanhã uniforme


Acontece que fiz meu mundo.
Imperfeito e singular.
Sentenciei meus medos....
Ajuizei representações fieis de sensos deturpados.

Converti meu medo.
Empenhei em sentir deleite do medo.

Emergi sorrisos verdadeiros.
Esqueci o que era dissimular meu tempo.

e...

Amanhã serei implacável.
Não respeitarei solução integral em benefício do comum.

Amanhã eu sou igual, uniforme
Amanhã eu sou feliz.
Amanhã eu sou interessante.
Amanhã, só amanhã,
o céu de Goiás será um pouco mais feliz.

Colorir, a solução pode ser colorir.....

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

passatempo


É importante fazer da vida uma ocupação ligeira e agradável.

Passatempo é a contração de passa+tempo.
E o tempo,
ah, o tempo...
Cazuza (sábio poeta marginal pop) sentenciava: "O tempo não para."

E 1983 torna-me 27 anos mais gente.
27 anos com prováveis 17 anos de erros e no máximo 10 anos de acertos.

27
Quem?
Porque?
Onde?
Quando?
Eu?

27 momentos... lugares... coisas...com irregularidades no tempo.

1.Pomar da casa de vovó lendo Sozinha no Mundo de Marcos Rey no banco do trator debaixo do pé de amoras.
2. Varanda da casa da roça da tia Bada, com muita gente que eu não escutava e muito menos entendia, Reveillon, Natal ou datas comuns.
3.Embaixo do sofá de pés de madeira da sala de casa de minha mãe ainda na Vila Nova, descobrindo meu orgão genital.
4.Praça do tiro de guerra e trilhos da estação abandonada acompanhado de meu pai para andar de bicicleta aro 16
5.Natal no qual surgiu um "tosco" Papai Noel, que até hoje não sei quem era, na casa da roça de vovó.
6.Escassos flashs de mamãe chorando dentro da D10 branca quando cortei o rosto.
7.Viagens a Unaí na carroceria coberta da D10 branca do meu avô.
8.Túmulo no alto do morro da casa de dindinha em Unaí, meninos correndo sujos, choro incontidos ao ir embora.
9.Sumiço de Dedé por um dia em virtude de rocks pesados e atraso de meu pai depois do trabalho em época que não haviam celulares.
10.Casamento da dindinha.
11. Finais de ano no Colégio Atenas.
12. Manhãs e almoços na casa da Bada.
13. Primeiras impressões com tentativa de suicídio de dindinha e tudo que resultou deste momento.
14. Jogo de detetive em excursão a Porto Seguro.
15. Primeiro vermelho (em português) e reprovação no vestibular.
16. Tardes de sábado conversando com amigos que não vejo mais.
17. Entrar no ônibus e partir para Ouro Preto sozinho. O primeiro suspiro de indepêndencia e o primeiro passeio sozinho.
18. O primeiro porre numa festa de formatura em Ouro Preto.
19. O mudar em Ouro Preto, o aprender a sentir, sofrer e gostar.
20. A SEAM e sua fundação, reuniões e fogo no centro de Ouro Preto e as noites de CAEM.
22. O primeiro e os consequentes "Eu sou".
23. O descobrir que tudo tem fim, a formatura da primeira turma, a comissão de formatura, minha formatura.
24. O olhar marejado de lágrimas despedindo-se de Ouro Preto.
25. Juberlândia e a descoberta do que é aceitação.
26. O perder da razão, o viver, o sentir-se amado. Goiânia.
27. Amanhã...


violência cotidiana

Violentia

"Violência. Vem do latim violentia, que significa violência, caráter violento ou bravio, força. O verbo violare significa trotar com violência, profanar, transgredir. Tais termos devem ser referidos a vis, que quer dizer, força, vigor, potência. Mais profundamente, a palavra vis significa a força em ação, o recurso de um corpo para exercer a sua força e portanto a potência, o valor, a força vital."
"Violência é o que se exerce com força contra um obstáculo. Daí: comportamento de uma pessoa contra uma outra que ela considera como um obstáculo à realização de seu desejo."


Violência é não saber.
Violência é sondar memória.
Não saber tudo, dói.

Violência:
Homem que bate na mulher.
Esconder medo do mundo.
Julgar sem saber, vivenciar.
Ilustrar vidas perfeitas.
Abandonar uma vida ou ser cortado desta.

Óbice é o termo mais semelhante a viver.


"Ouro Preto é vida e morte"
Ouro Preto é embaraço de opostos.
Ouro Preto é eufemismo de algo que flutua entre antiteses e paradoxos.


Ouro Preto é proposição falsa do que é ser triste vivendo-se feliz.
Tácito tumulto interno de lembranças do que não se recorda.
Amo odiar cada sutil recordação de momentos vividos.
Felizes gargalhadas relativas ao soluço de choro.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

o que precede "violência cotidiana"

"Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos.
Eu não quero esta casa."

Trecho de Mineirinho - Clarice Lispector


Clarice não escreve, lambusa feridas abertas com mertiolate (de antigamente), que ardia pra burro, mas curava.

Se Deus é bom ou existe, ele tem me indicado textos e livros com os quais tenho tentado passar o tempo.

Tanta coisa que não sei. Isso me desorienta.

a revolução do bicho homem.


“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.”
A revolução dos bichos - George Orwell.

Interessante como lemos as coisas certas nos momentos certos. Entrei no avião em BH e tinham esquecido o livro "A revolução dos bichos - George Orwell" no acento. Aceitei o presente de bom grado e na espera infinita entre as escalas... debulhei o livro... sobre o qual, inclusive, muito já havia ouvido falar.
O post trás a última frase do livro.
E por ocasião de fatos ocorridos em um dos piores finais de semana de minha vida, me pergunto, queremos nossa sociedade assim?
Eu não.
Estou muito... indignado não seria a palavra adequada... confuso e precisando de respostas a muitos porquês....
Por favor, lutemos pelo mínimo de segurança, educação, saúde e justiça social para este país.... Como diria Lilly Allen... Fuck You.

Preciso explicar melhor, mas preciso digerir o nada que me resta na consciência.
Próximo post tem nome: violência cotidiana.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

espaçamento em sentido imediato

O que une as pessoas, separa.
Real são nossas ilusões contraditórias. Sonho e realidade podem coexistir juntos. Enfrentar os conservadores de peito aberto, não temendo as reações adversas, que mudanças provocam, é "digno".
Contextualizar o sentir original, concentrar o que o rito da natureza fez-nos sentir, trabalhar nossas relações humanas e simplesmente aceitar uma traje-torta-tória.
Frágil? Nunca. Nunca mesmo
De postura singela, este que vos fala, nasceu em Patrocínio, interior mineiro. Mudou-se para Ouro Preto ainda criança de espírito. Amadureceu em ambiente jocoso e manteve nostálgicos desejos de puberdade escondidos. Talvez tenha desconsiderado julgamentos e aceitado distinguir o verdadeiro "eu", tempos depois em terras distintas, Uberlândia ou Goiânia. Convinha a proximidade do "coração do Brasil" associada a um andar indistinto e a garantia pública de sustento.
Continua acreditando na possibilidade de que não relacionem a sua pobre literatura ao caráter multifacetado.
Como é complicada e delicada a relação com a transparência.

Adam Lambert: "Suck on that Westboro."

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

não foi eu quem roubou, do céu, o segredo do fogo, pois nasci sabendo que não sei muita coisa mais.

agradeci conselhos
esquecê-los, nunca pensei

esqueceremos persistindo na adversidade
não esquecer cada momento
desinteressando-se
é mais que idade, tempo.

derramo falsas impressões de choro interno
com sorriso exterior

só o tempo
louco
não aguenta a loucura do mundo
e fecha-se
tal qual segredos de Pandora
pois, afinal, não foi eu quem roubou do céu o segredo do fogo.

os vícios do inventar Gomorra
surpreendem o inventor do que vem a ser "Glamour"

transparecer o fundo dos olhos
tornaria anárquica, suja e violenta
trechos reais de vida
tribos no ensaio do que seria real

encenamos a epopeia dos navegantes sublimes
apostar no abandono do real
é garantia de palcos de sustento
alterar rotas
ser filho único, mais velho
recordar tagarelices fora de roteiro
deslanchar num "casting" de personagens que insistem ser aceitos

O que tenho eu feito?

incorporado máscaas de "alma boa"
admitido crise de identidade contemporânea

Onde encontramos Deus?
Deus necessita de "marketing"?
são os homens quem necessitam
ditados de livros sagrados
de onde vem?
cobiçados e solitários?
disfarce em faces cruéis?

Porque o mal se dá bem?
Porque o bem se dá mal?

escolhas de escola humana
o caminho está invertido?
ao contrário?
placas? não vejo.
Quando finalmente será a estreia?
Há como misturar humor e precisão formal?

disfarço entre uma barba incompleta meu conceito bastardo.
Olhos escondidos,
infames,
inteligentes e sensíveis.
Marejados de lágrimas, mestres e sofridas.

Guaguejar de nervoso?
Falar baixinho?

Nasci sabendo que não sei muita coisa mais...

Surgi no início dos coloridos 80,
desafiei reeerguer desejos e opor meu gênero na decadência comtemplada no início de 90.
e por duas decadas carreguei calado o peso de um lacre dolorido.

O público nunca parece-nos cansado
vertemos em telas desbotadas
vivazes romances, mais proibidos que o de Romeo.

sai de um coma mental
retirei mordaças e vendas

Descobrir, o diretor, que de mim conta histórias de um gueto
intocável
moribundo
marcado
baixo
lançado a decadência
julgado
excêntrico e nada esquisito
exceção
alegre por soerguer e continuar
queda pós queda
normal, entretanto inserido em contexto dito comum
destinado a expor cara a tapa
"remake" de um filme antigo
sem cenário e maquiagem.

adaptamos um filme de um livro a cada despertar

combalidos de crítica religiosa
tornamo-nos produção marginal
"cult"?

Desejei a nada bíblica destruição, pelo fogo, do céu.

Pós-guerra,
tornaremo-nos ourives de felicidade guardada
desfilaremos sofisticados sorrisos nunca dante expostos
guerreiros que somos
lutaremos contra horrendas locações em periferia imunda e marginal
negaremos casas sujas e com mobília velha
e finalmente recusaremos a clandestinidade de lugares sórdidos.

Sobreporemos senso comum.

Comparados a óperas, nas quais personagens sofrem felizes com reviravoltas
venderemos antigos rótulos em sofisticadas lojas
à crédito
de futuro bom.

Cada um sabe seu lugar.
Não há concessões.
Não queremos mais ou menos.
queremos somente igual.

Nada seco ou árido
fascínio por garoa rápida e sol
obra-prima do verdadeiro Criador
época de cor
abraço sincero e beijos lapidados
época de arco-íris.

Goiânia, 03-08-10, 04:17
pesadelo seguido de sonho bom.
Juber.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

pequenas impressões de indivíduo que sublima 22 anos

textos de site de relacionamentos que tem valor incalculável....

"

Acho que vou ficar careca...
Se fosse mais feliz, vai ver meu chão não caía.
A vida é curta e devemos aproveitá-la ao máximo,
Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida.
Sou um clichê ambulante.

Preciso ir ao médico. Estou com dor de estômago.

Devia ir ao dentista.
Se não adiasse tudo, seria mais feliz.

Passo os dias sentado. Se tivesse uma bunda maior, seria mais feliz.
...Não usaria a camisa para fora.
Como se enganasse alguém.
Devia malhar e correr... 8km por dia.
Preciso mudar de vida. Como?


Preciso me apaixonar... arranjar um namorado.
Preciso ler mais, estudar.
E se eu aprendesse alemão?
Ou tocar um instrumento?
Ou chinês!
...Eu seria um quimico que fala chinês e toca violão.
Seria genial...

Talvez raspar o cabelo. Parar de agir como um cabeludo.
Patético, não é? Seja sincero e seguro. Só.
É o que atrai os homens.
Homem não precisa ser atraente.
Isso não é mais verdade hoje.
...O homem sente a mesma pressão que a mulher

Por que vivo me desculpando por ter nascido?
Vai ver é a química do meu cérebro.
É isso! É químico.
Meus problemas e a ansiedade derivam de um desequilíbrio químico... sinapses errantes.
Preciso me tratar.


"
Sr. Savoine


Clichês ambulantes não são imperfeições físicas ou morais
Deformidades ou vícios

Inconveniente ou estorvo é ser imutável
Permanente, inalterável ou fixo

Adiar é só esperar para crescer amanhã.

Falar alemão ou tocar violão
Nada faz maior do que ser extravagante

einzigartig pode ser singular em alemão
e daí?
genial é ver mais do que se pode ver

Sr. Savoine vê.


domingo, 25 de julho de 2010

sorrisos inconvenientes - simpatia imoral

tenho discordado de critérios
matrizes impostas
coerências de novela das 8

fracasso público?
argumento social

exotĭcus
estravagante
ou simplesmente efêmero acadêmico de design

sorriso inconveniente
conveniente simpatia
imoral

afinal
moral é ver a vida passar do jeito que os outros querem e não da forma como a gente pode

Vinicius de Morais
escreveu de mais belo:

"Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz."

Mas há de se convir
ao menos algumas vezes na vida seremos nonsense

sorriso
indeciso
improviso.

irresoluto
deixo o fim de semana

sexta-feira, 23 de julho de 2010

caso pensarmos sob des-medidas








odeio a falta de des-educação
ser sinônimo de boa influência.... irrita... acovarda de diferenciar
nada sob medida
construir desavenças do inesperado excita-me
instigar curvas do nada tradicional
procedimentos semelhantes: rotinas?
Não. Não mesmo.
rompendo a tênue linha do elegante cafona
afoita ânsia de desejo contido?
será isso?
des-cobrindo o des-indivíduo perante sociedade des-construida
des-fazer tédio
des-fazer apresentação de onde tudo des-sustenta-se
trilha de obsessão pelos des-detalhes.
contornos nada sutis - roteiros de banheiro
grito em missa
beijo gay em igreja
liberdade em cadeia
regras do anarquismo
muros do infinito
retas do círculo e curvas do quadrado
hábitos em cabides de canto de guarda roupas
que "idéia" continue a ter acento
espantosos tratados de des-argumento
inconformado com o tempo
"Puta que pariu"
avesso a pele sedosa e sem marcas

senso comum:
as experiências atuais que continuam sendo efetuadas
proposições que aparecem como normal
sim, foi ele
que me des-formou assim


Agradeço insistentemente o café.... mas prefiro cachaça!
Muita cachaça.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

os discretos poderes de Wonderwoman

"Ah, pseudointelectual, acadêmica enlouquecida, advogada perdida, professora enlouquecida e recém-apaixonada-casada com a profissão. Nada santa, longlivetheclearheels, viciada em café, coca-cola e sapatos. E, claro, em divagações intermináveis e aparentemente sem sentido. E que fique bem claro, eu odeio saltos de acrílico! O porquê então do título? Viva a ironia!"
"Wonderwoman"

Há-preços, incalculáveis.
Apreço por palavras soltas... fortes, singelas...
...belisca-me e mostra-se real
de superheroína- ouropretana-capixaba com poderes especiais indisponíveis no mercado
"Peudointelectual"
"Enlouquecida"
"Perdida"?
"Nada santa"
"... divagaçãoes intermináveis" e "... sem sentido"?
Difícil encontar quem sabe o valor de um
"Viva a ironia!"

Uai...

"Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não percebe o recomeço"
De nome comum...
Escorrega singular.
Brinca...
Discute, pensa diferente e dança sobre o tempo.
Fantástica fábrica de um saber e lidar.
Mercado?
Som, movimento e imagem.
Filme que anuncia...
Viagens de um performance "assim que por acaso"
Vocábulos ricos de imagen.
Filmes Dogma 95¹ - Lars Von Trier

Foi assim num cenário rosa.
Que eu, espectador, vi a coadjuvante - ? - de um furacão rosa
Em afazeres distantes do foco de ação.
Não participei junto ... tempo de casa de 4 mulheres...
fortes e-ou frágeis demais.
Não erramos juntos exercícios infinitos de hidrologia.
Em diferentes foco, opinamos juntos
desencontros de um relacionamento "tosco"
Cada ação individual sublimou meu irresoluto disfarce
Esboços e rascunhos enfatizaram tuas virtudes
Valorizaram ângulos e tornaram figurantes... protagonistas.
Despojado "supérfluo" e nada superficial.
Engulo obscuro lucro de espetáculos que a vida proporciona.
O obscuro personagem do filme rosa.
Fundamental?
São pessoas que nos fazem chegar bem perto do espírito do nosso tempo.
E eu acredito neste seu poder.

Para a verdadeira Wonderwoman e com saudades da protagonista rosa.
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¹Dogma 95 - é um movimento cinematográfico internacional lançado a partir de um manifesto publicado em 13 de marçode 1995 em Copenhage, na Dinamarca. Os autores foram os cineastas dinamarqueses, Thomas Vinterberg e Lars von Trier. O Manifesto Dogma 95 foi escrito para a criação de um cinema mais realista e menos comercial. Segundo os cineastas, trata-se de um ato de resgate do cinema como feito antes da exploração industrial . O manifesto tem cunho técnico — apresenta uma série de restrições quanto ao uso de técnicas e tecnologias nos filmes — e ético — com regras quanto ao conteúdo dos filmes e seus diretores —, e suas idéias são tão controversas quanto seus filmes. (Wikipédia - porque não, também assisto novela)

domingo, 18 de julho de 2010

angst¹

Simplórias ilusões de ontem a noite.
Eu não sou gentil.
Não quero ser legal.
Eu não sou perfeito, não sou legal.
Nem quero que esperem algo de mim.
Não quero ser mais que meu mau humor de agora permite.
Quer saber... é irrelevante.... nã0 diz respeito, falta.
quer saber... eu não!
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¹angst - medo (alemão)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

o segredo de fadas



Cores nada discretas do agora
Róseo violeta de Adeus
Porque amanhã não assemelha-se
E o tempo não para agora
Dois anos não são dias, nem semanas
E a arte trás virtudes que o caráter disfarça.
Arruda... afasta sombras de esquecimento.
Lobbys do paciente silêncio.

Mamãe não passou açucar em mim.

Folhas, ainda que secas, bailam
Em palco hedonista, singular e egoísta.
Desbotado, o porque de gostar assexuado.
Remetendo "ao 'indo embora'", o ficar.
Em Goiânia, modifico estereótipo, eu "ventava"
Vento em solitária saudade de pista cheia.
O vento cobra-me
Sorrisos de momentos bons.
Momentos de interesse, mútuos.
Momentos de sorrisos compartilhados.

O vento do tempo deixa-me cada dia mais só.
Otário, tempo de pensar que momentos são, assim, sempre.
Era uma vez... um final comum.
Nunca seremos, sem vento, sem tempo, sem momentos, felizes para sempre.

Desconto de fadas, duendes e canalhas.

sábado, 10 de julho de 2010

piruá ao calor fremente de uma pipoca ruiva - "autant dire"

Sem o tempo do depois....
Há momentos que tudo para.
Como se amanhã fosse "autant dire"¹
Falgás o sentir do bater no peito.
O respirar escutado.
O pisar pensado.
O intelectual e erudito evidenciado.
Ademais, ganhar nem sempre é um montante de dinheiro.
Elenita Bahirah transpira simpatia.
Elenita Bahirah aceita e apoia o que não posso desligar e definir.
Elenita Bahirah é o que falta em um montante significativo de pessoas.
E como é engraçado admirar alguém por quem perdemos dias votando em um processo classificatório de um programa dito alienante.
A meritocracia, a predominância de valores insiste em tornar-lhe alguém que adimiro.
Quando eliminada, com lágrimas, as minhas escorriam pelo rosto.
"Tem muita gente piruá nesse planeta. Gente que não reage ao calor, que não desabrocha. Fica ali, duro, triste e inútil pro resto da vida. Não cumpre sua sina de revelar-se, de transformar-se em algo melhor."
Veemente, meu impeto de admirar alguém que não participa de minhas rotinas, ilude a quem acha que isso faz-me menor.
Ontem, uma batida no peito, depois da leitura de um bilhete de desabafo, desconstruiu meu ivólucro de manutenção de distância, de admitir que gosto do programa de horário nobre.
Porque não?
Eu assisto BBB, e ninguém é menos por ter coragem de não disfarçar o que se passa dentro de casa.
Reflexo das diferenças de nosso país que quase aceita a escrita com Z.
Conclusões?
Elenita Bahirah.
Elenita Bahirah.
E eu repenso a atitude de esconder quem dorme ao meu lado da cama.
___________________

¹"autant dire"- "Tanto Faz" em francês.