interessado em alguma bobagem

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

a absolvição do vilão da novela das 8 / entendendo Félix

felix

Félix (Mateus Solano), é vítima.

Infelizmente, esta história é contada na novela das 8 porque foi a nossa ignorância – a minha e também a sua – que destroçou a vida dessa criança. E tem destroçado – às vezes em brutal literalidade, com tiros e pancadas – a vida de muitos – demais.

É espantosa a quantidade de dor que pode caber numa vida apenas por causa da ignorância.

felix 2

Da nossa ignorância.

Uns relevam e vivem.

Outros fazem vítimas, como Félix.

Nunca me senti tão angustiado assistindo o que sei por vivência, o que é completamente real.

Todos permitiram, por ação ou omissão, que muitos Félix fossem agredidos, acuados, encurralados e, por fim, exilados.

Ou, como ele, revidam.

Parabéns Walcyr Carrasco pelo “Amor à Vida”.

O maior problema é que o revide de alguns Félix, reverberam sobre a comunidade de excluídos, condenados a viver nos "Gaytos". Joãos, Josés, Pedros, Felicianos, Malafaias.... muitos…

Tá, eu assisto novela das 8. Sempre. É o reflexo da vida depois que se levanta do sofá.

Nem por isso deixo de entender o que se passa por trás da interpretação de moços e moças belos da TV Globo.

Então, vou usar isso para ser um pouco "pseudo-intelectual".

Já ouviram falar em Édipo ou em Síndrome do Pai ausente?

Há algum tempo, quando precisei entender mais que Madonna e Gaga, eu li isto:

COMPLEXO DE  EDIPO E A "SINDROME" DO PAI AUSENTE

 

Por: João H.  L. Ferreira

 

Em seus estudos sobre o inconsciente, Freud traça um paralelo entre a estória de Édipo Rei, da antiga Grécia, e a formação do psiquê humano; lançando as bases do que viria a ser denominado Complexo de Édipo. Desde essa formulação, estudiosos vem se debruçando sobre o tema, aprofundando as reflexões de mestre.

 

O complexo de Édipo se desenvolve ao longo da vida do indivíduo. Premido pelo escolha entre as exigências impostas pelas forças exógenas da Família, sociedade, religião, leis, etc..., de continência ao prazer individual, e o desejo do indivíduo pelo prazer sem limites; o conflito do Édipo mal resolvido pode ser fonte de angustias, neuroses, perversões e outras formas de distúrbios psíquicos e de comportamento.

 

No seu processo de amadurecimento, Paradoxalmente, o indivíduo opta em limitar o seu prazer pela garantia de manutenção do próprio prazer, ou, pelo menos, de parte do prazer que lhe é permitido por essas mesmas forças exógenas (Do convívio social, da aceitação, integração no grupo a que pertence, etc....). Assim, para garantir o pouco prazer que lhe é permitido, passa o indivíduo a limitar-se, abrindo mão dos prazeres que lhe são proibidos. Essa submissão é uma das possíveis saídas do Édipo. A negação do prazer proibido e da submissão às forças exógenas encontra o seu ague na infância; sendo essa fase chamada de latência; pois os desejos de satisfação dos prazeres negados se encontram latentes e reprimidos no Id.

 

Através da abstinência, ou a da continência dos prazeres (Ou de situações prazerosas), abstendo-se de obter prazer de modos e em condições que não lhe são permitidos, o indivíduo mantém a possibilidade de obter prazeres que não lhe são negados; ou até mesmo oferecidos, em contrapartida aqueles que ele se abstém de obter voluntariamente.

 

No modelo do Édipo, criado por Freud, a busca do prazer é representada pelo desejo para com a mãe; e a sua negação pelas forças exógenas é representada pela figura paterna; que, detentora do poder, que afasta a criança da mãe (Sua fonte de prazer). Dessa forma criam-se duas figuras: Uma potente e capaz de satisfazer os próprios desejos; que é o pai; e outra impotente, mesmo que não totalmente satisfeito, que submete ao poder do pai, buscando assim garantir o carinho da mãe, que é o filho.

 

Dessa forma, as situações de negação de prazer por forças externas, é remetido à situações vivenciadas na infância de disputa da criança com o pai pelo tempo e atenção que lhe é dada pela mãe.

 

No clássico grego, a saída do Édipo se dá quando o filho (Édipo) mata o próprio pai (Lion) e toma a própria mãe (Jocasta). Esse ato tem como consequência o condenar de Édipo a vagar sozinho sem rumo, após ele mesmo ter furado os seus próprios olhos em castigo.

 

Assim, o clássico de Édipo Rei, nos remete ao aviso de que, a procura do prazer sem restrições, sem considerar o outro (Nos tornando cegos para o mundo à nossa volta) nos leva inexoravelmente à solidão pela exclusão do convívio social, o qual deixamos de respeitar na nossa procura por esse mesmo prazer.

 

Creio que, a saída saudável para o Édipo, é o indivíduo, ao se tornar adulto, entender que as regras (Forças exógenas) não tem caráter onipotente; ou seja: As regras são referenciais feitas pelas Homens (Seres humanos ADULTOS) para a manutenção do convívio social e podem (E devem) ser negociadas entre os membros de uma mesma sociedade. Ao tomar o seu lugar na sociedade, como ser humano adulto, a ex-criança, agora adulta, se torna também PAI (Inclusive no sentido biológico), emanador das regras negociadas com seus iguais.

 

Entendido tudo isso, gostaria de analisar uma situação especial de Édipo que é o PAI AUSENTE.

 

Não raro, dentro da nossa sociedade, a figura do PAI AUSENTE se dá; ou por separação, ou por morte do mesmo. O PAI AUSENTE, dependendo da família, pode se tornar MAIS PRESENTE do que se fisicamente estivesse convivendo com a mesma em sua normalidade.

 

O que apelidarei aqui de "SINDROME DO PAI AUSENTE" se dá quando, ao sentir-se impotente para a manutenção da disciplina da prole, a mãe evoca a presença de um PAI VIRTUAL, que passa a existir dentro da família. Frases como: SE O SEU PAI ESTIVESSE AQUI... ou O SEU PAI MANDOU..... ou NEM PARECE QUE É FILHO DE FULANO.... e assim por diante, incutem na criança um PAI VIRTUAL sempre presente e muito mais "castrador" do que um pai físico, com o qual ele possa se confrontar na procura de seus limites e identidade.

 

Dessa forma, o PAI AUSENTE se torna na verdade um PAI UNIPRESENTE; existente em todo o lugar; virtuoso e sem defeitos, incansável e imbatível; que o filho, por nunca poder derrotar ou superar, se rende e se submete. Esse "super pai" acompanha o seu filho por toda a vida; que procurando "agradá-lo", para obter a sua aprovação (Que nunca conseguirá), se torna o exemplo de "bom filho"; sempre obediente às regras, as leis, aos horários; se submetendo à imposição das forças exógenas; gerando o que se pode chamar da "SINDROME DO ETERNO FILHO".

 

A "Síndrome do Eterno Filho", na vida adulta, é reforçada com elogios tais como: "Seu pai ficaria orgulhos de você". "Você é um modelo para os seus irmãos e colegas". "Queria ter um filho assim". "Você é o filho que eu nunca tive"; e assim por diante. Além de reforços externos, o indivíduo se vê compelido a continuar como ETERNO FILHO pelas vantagens que isso lhe trás; tais como:

 

1) Ele não tem que assumir uma posição de adulto; fazendo escolhas (Uma escolha sempre implica em não realizar uma das possibilidades- Aquela preterida- E por isso gera um sentimento de perda).

 

2) O indivíduo NUNCA É CULPADO; pois se sempre faz o que lhe pedem, ele não pode ser culpado pelas consequências do que advém de errado na sua vida. Assim o culpado é SEMPRE O OUTRO.

 

3) O indivíduo não necessita pensar; somente obedecer. Alguém sempre lhe dirá o que fazer.

 

4) Sentimento de impotência para resolver os problemas sociais e institucionais (Afinal a sociedade e as instituição são o grande "pai" , e não se deve desafiar o pai).

 

Dessa feita; deve-se lembrar que, nos dias de hoje, o pai está AUSENTE. Isso se dá não somente por condições de morte ou separação. Em muitas famílias, hoje, temos pais que, mesmo vivos e casados, se encontram ausentes; não participando da vida familiar; repassando esse modelo para os seus filhos. O pai ausente é uma das poucas condições que não permitem a saída completa do Édipo; podendo desencadear esses e outros problemas da "síndrome" acima; fazendo com que a pessoa se torne o "eterno filho"; sem assumir a sua posição de adulto responsável e SUJEITO do próprio DESTINO. É o sentenciar do sujeito á eterna posição de vítima; de objeto e força de manobra das instituições que, em nossa sociedade, se encontra tomada por forças inenarráveis.

 

Assim, por ser potencialmente benéfico aos sistemas (Que são PAIS SEMPRE PRESENTES), a "síndrome do pai ausente" pode estar sendo introjetada dentro da nossa sociedade por grupos que tem muito a ganhar com isso (Creio que mesmo que inconscientemente, todos nós procuramos aquilo que nos traz prazer e felicidade). Fica aqui um ponto de alerta e reflexão para os psicólogos e pais: Estamos formando uma sociedade de "ETERNOS FILHOS".....

E, depois disso, dizer o quê?

felix 3

O capítulo do dia 01 de agosto de 2013 da novela do horário nobre do maior meio de comunicação do Brasil foi simplesmente antológico. Ao menos, para mim e tantos outros em armários, semi armários, becos e esquinas.

Nós estamos aí, ali e lá.

Escondidos, escancarados, escrachados…

Tímidos, cínicos, irônicos, felizes, tristes, coloridos e em preto e branco.

Muitos em preto e branco.

Com uma dor tão grande de ser.

(Vocês não imaginam)

Não ser igual, dói muito.

Imaginar que nem mesmo em casa você é igual é como estar com os pés nas nuvens.

Ademais, parabéns e minhas reverências a Walcyr Carrasco e sua novela “Amor à Vida”.

Hoje eu senti o abraço de Pilar  (Susana Vieira) e Bernarda (Nathalia Timberg) ao aceitarem Félix. E o abraço verdadeiro do filho, Jonathan (Thalles Cabral).

Não sejam César (Antônio Fagundes).

Sejam um Pilar.

Para quem não viu….

Armário: http://tvg.globo.com/novelas/amor-a-vida/videos/t/cenas/v/edith-mostra-as-fotos-de-felix-e-anjinho-para-cesar/2730701/

Obrigado Félix: http://tvg.globo.com/novelas/amor-a-vida/videos/t/extras/v/divirta-se-com-o-jeitinho-felix-de-ser/2674394/

sexta-feira, 14 de junho de 2013

o terminal de um transporte público - inverno brasileiro e a redescoberta da cidadania

O PONTO:

 

Prender manifestantes por formação de quadrilha é AI-5 contra a luta social

14/06/2013 | Publicado por Renato Rovai

(Foto:Pedro Chavedar)

Os momentos históricos são diferentes, mas o que está acontecendo em São Paulo precisa ser discutido do tamanho que merece. Manifestantes não podem ser presos sob acusação de formação de quadrilha, crime inafiançável. Se isso vier a prevalecer, estaremos entrando num cenário de ditadura contra a luta social. Será um novo AI-5, o instrumento que faltava para a tão sonhada criminalização dos movimentos sociais que vem sendo arquitetada há tanto tempo pelas forças conservadoras do país. E que ganhou hoje o apoio, em editorial, da Folha e do Estado de S. Paulo.

Na última terça-feira foram 20 presos. Hoje, fala-se em mais de 60. Muitos deles jovens que carregavam apenas vinagre para se defender do já previsto ataque de bombas da Polícia Militar. Entre esses que carregavam vinagre, um fotógrafo da Carta Capital.

O jornalista da Carta Capital já foi solto, mas a grande maioria dos jovens ainda está amargando o gosto da cela. Quem não está sendo acusado de formação de quadrilha, pode obter a liberdade pagando 20 mil reais.

Ou seja, a partir de agora quem for para a rua lutar é bandido de alta periculosidade. E o pior disso tudo é que tem gente que se diz de esquerda que está aplaudindo essa ação nefasta.

Cansei de ver os metalúrgicos do ABC parando a Anchieta para reivindicar aumentos. Cansei de ver os bancários de São Paulo fechando as ruas do centro de São Paulo em suas campanhas salariais. Participei de greves gerais convocadas pela CUT e que interrompiam avenidas de todo o país. E muitas vezes vi gente com pedaço de pau e o que tivesse na frente indo para cima de policiais e da cavalaria. E também vi muitos sindicalistas com o rosto jorrando sangue.

A polícia brasileira sempre foi violenta com os movimentos sociais. E é essa violência que estamos assistindo contra os manifestantes no centro de São Paulo que está engordando o caldo das manifestações do Passe Livre. Essa violência que o jovem da periferia vive no seu cotidiano é também a gasolina dos protestos. Não é só os vinte centavos.

Muito mais gente vai para a rua da próxima vez. E Alckmin está dando risada. Porque isso vai fazer bem para a sua popularidade. Afinal, em São Paulo há um eleitorado que quer o xerife na rua. Quer ver sangue. E quer ver quem luta, quem protesta, quem para avenidas, na cadeia. Que sonha em ver a extinção “dessa raça”.

A questão é que se os movimentos sociais que não estão diretamente envolvidos nos protestos atuais aceitarem essa criminalização absurda do Movimento Passe Livre, estarão assinando o seu atestado de óbito. Quando quiserem lutar serão tratados da mesma forma.

A não ser que já tenham abdicado da luta como um instrumento de construção de uma sociedade mais justa. E aí também já terão assinado seu atestado de óbito. Movimento que não luta numa sociedade tão desigual como a nossa não é movimento.

Para o movimento social agora não é hora de se discutir os exageros. É hora de defender os direitos. O que está em curso é muito mais perigoso do que pode parecer à primeira vista. A continuar assim, em breve, líderes sociais estarão sendo presos acusados de terrorismo.

FONTE: http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/06/14/prender-manifestantes-por-formacao-de-quadrilha-e-ai-5-contra-a-luta-social/

(destaques meus)

O MEIO / O PÚBLICO / O APERTO:

O texto traduz.

A noite frente a insurreição.

Ironia foi despertar-me “a ferramenta de alienação em massa”

Globo News

(nunca, antes, passei tanto tempo sem usufruir da magia do controle de TV a cabo)

Deveras…

Surpresa!

Eles existem…

E ,

com exemplo árabe,

visto no Jornal Nacional,

eles estão na rua.

Eles não.

Cada um daqueles,

ali na Consolação ou correndo pela Augusta,

é um pouco de mim,

ou de você.

Ele sim é brasileiro que não desiste nunca.

E,

ele,

eles,

muitos,

a maioria num país desigual,

cansados de gritar gol,

vomitam na minha e na sua cara,

com português errado,

de escola pública,

sem Aurélio,

a melhor definição que se pode dar a palavra: CIDADÂO.

Quanto vale os sonhos?

Qual é o meu mundo?

Qual é o seu mundo?

Outrora,

na Paulicéia,

ex-presidente foi sindicalista,

bloqueou rua para  bife de alcatra na mesa,

quiçá filé.

Cadê o Lula?

Evaporou?

Sumiu?

Ou,

não sabe de nada,

não viu?

E,

quando “mainstream”,

hipster,

era ser hippie,

no cinza da farda no comando,

sob A.I.5 e mãos pesadas,

a presidenta era torturada.

Sem eufemismo:

uma violação dos direitos políticos de todos os cidadãos brasileiros.

Presidenta?

Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso

No poder,

nem tudo é tão divino e maravilhoso?

Haddad?

Quem?

E,

chuchu de São Paulo,

digo,

governador de São Paulo?

Confesse!

Comemoras!

Carros populares,

parados,

a classe média assustada,

a derrocada petista

e os votos no ano que vem.

Ah!

Estes arruaceiros!

Uma quadrilha!

Crime inafiançável!

E,

quando direita e esquerda,

PSDB e PT,

pseudo-situação e pseudo-oposição,

se fitam,

nenhuma surpresa,

descobrem-se vaidosos,

frente ao espelho.

PT, PSDB, PSB, PR, PSC, DEM

e toda a porcaria nacional geralmente precedida de P

chafurdam.

Enquanto,

“Eu pago

Tu pagas

Ele gasta

Nós pagamos

Vós pagais

Eles torram

Ah!

E,

permitem a cobrança simbólica pelo transporte público.

Oferecem Sistema público de saúde.

Segurança.

E,

muita Educação.

Tem quem grite GOL.

E,

há quem acredite  na REVOLUÇÂO.

Do povo que esquece rápido,

eu,

ainda me lembro,

PODE TUDO

ensinou que quadrilha não é compra de votos do legislativo?

Quadrilha é exercer cidadania.

E,

no Código Penal da cidadania,

hediondo é permanecer com a bunda no sofá.

.

 

O DESTINO:

“… os distúrbios desta quinta-feira começaram às 19h10m, pela ação da polícia…”

 

“O Brasil descobriu nos últimos dias que a tropa de elite dos altos escalões da República que combate a verdade é mais forte e abusada do que se imaginava. ”

 

“O fundamental é que estamos vivendo uma brutal ofensiva do pensamento conservador, que coloca em risco muitas décadas de conquistas civilizatórias da sociedade brasileira.”

 

“Uma repórter do jornal Folha de S. Paulo foi baleada no olho com uma bala de borracha.”

 

“Sempre vai haver quem prefira como modelo de estudante exemplar aquele sujeito valoroso que trabalha na firma das 8 da manhã às 6 da tarde, pega sem reclamar o metrô lotado, encara mais quatro horas de aulas meia-boca numa sala cheia de alunos sonolentos em busca de um canudo de papel, volta para casa dos pais tarde da noite para jantar, dormir e sonhar com um cargo de gerente e um apartamento com varanda gourmet.”

 

“Desde a Antiguidade, esses

jovens ingênuos e

irresponsáveis são o sal da terra,

a luz do sol que impede que a

humanidade apodreça no bolor

da mediocridade, na inércia do

conformismo, na falta de

sentido do consumismo

ostentatório, nas milenares

pilantragens travestidas de

iluminação espiritual.

Esses moleques que tomam as

ruas e dão a cara para bater

incomodam porque quebram

vidros, depredam ônibus e

paralisam o trânsito. Mas

incomodam muito mais porque

nos obrigam a olhar para dentro

das nossas próprias vidas e,

nessa hora, descobrimos que

desaprendemos a sonhar.”

 

sábado, 27 de abril de 2013

eu núm.3.r.0–quase 30

 

Eles vieram.

(quase 30)

Tal qual nazistas,

ditadores da moral.

Tão democráticos,

que boçais, dissemos amém.

E,

quem nunca teve fantasias comunistas?

Infelizes,

acordamos cedo para trabalhar.

vento

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

a soncice do palhaço

Hoje é o picadeiro do ontem.

Na coxia há resquícios de amanhã.


Do espetáculo?

Escândalo ou desdém.


Não sabemos nada.

Sabemos a sonsice do palhaço.


Mancebo,

frangote mesmo,

recém convencido de que era completo,

cantarolei:

“Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor”

Somos o circo das afeições relativas a nós mesmos.

Somos o riso de cada tragédia.

e,

“Você precisa
Saber da piscina
Da margarina
Da Carolina
Da gasolina
Você precisa
Saber de mim
Baby, baby
Eu sei
Que é assim
Baby, baby
Eu sei
Que é assim
Você precisa
Tomar um sorvete
Na lanchonete
Andar com gente
Me ver de perto
Ouvir aquela canção
Do Roberto
Baby, baby
Há quanto tempo
Baby, baby
Há quanto tempo

Você precisa
Aprender inglês
Precisa aprender
O que eu sei
E o que eu
Não sei mais
E o que eu
Não sei mais

Não sei
Comigo
Vai tudo azul
Contigo
Vai tudo em paz
Vivemos
Na melhor cidade
Da América do Sul
Da América do Sul
Você precisa
Você precisa

Não sei
Leia
Na minha camisa
Baby, baby
I love you
Baby, baby
I love you”

Eu não estou no lado oposto.

e, agora, eu tenho gosto

sou bravo,

não salvo de sofrer

e,

definitivamente,

ninguém sabe perder.

… não é glória esconder o soluço de choro

não sou um vencedor.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

quando o criacionismo abrange apenas EVA e eu digo amém…

1591 dias depois...
(depois de: os “indo embora”)
eu
novo, de novo
tô "indo embora".
De novo.
Menos órfão,  menos acovardado…
da diminuta figura de outrora
resta o maior de mim…
Vasta é a minha vontade de valer a pena…
De indecisões
restam migalhas
de goteira
de meu telhado novo.
Telhado feito de medo vencido,
sangue inocente
e lágrimas de blasfêmia.
Eu sodomizei a quimera de mim…
Do antigo
“Eu quis ser puro e não ter maldade.”
sobrou:
Eu sou o JUBER.
Entretanto,
eu ainda não entendo
como em todas as vezes eu assento em minha cama e choro.
4 anos depois,
o mesmo choro de criança
que estoura o peito.
Aquele choro que num cala e que um afago acelera.
Minha vida é bem feita de “de novos” novos.
de novo,
mas dessa vez
"prá li".
….
do 807,
fica riso,
graça,
fica dor,
fica mágoa...
fica meio eu
e vai eu novo...
tão novo
e  feliz...
Nem combina essa nostalgia.
Ansiedade de herpes labial...
até...
até...
que  sejamos tão felizes
Obrigado sonho EVA...
E, da nostalgia,
resta a dorzinha gostosa da saudade da mudança
Juberlândia-Jubergyn...
E agora.
Quando é que se considera que:
“a seu lado o meu mundo ficaria completo”?
Eu acho que sei.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

“oVo Bárbaro”: uma fotonovela de uma pessoa incomum–minha aventura no humor

Hoje, recebi a visita de um dos meus melhores amigos.

"oVo Bárbaro".

Aliás, ele sempre me cobrava que eu nunca tinha lhe convidado para conhecer minha casa...

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Ansioso como sempre, "oVo Bárbaro" foi correndo conhecer a vista da sacada.

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Ficou todo satisfeito quando lhe ofereci bebida...

Entretanto, "oVo Bárbaro" pensou ser suco... de uva...

Aliás, ele tem um histórico raro de alcoolismo com suco de uva... caso raro.

Sua mãe, coitada, nunca sabia quem secava aquelas garrafas...

vi3

Mas, deu as costas ao White Horse.

"oVo Bárbaro" cuidado... ahhhhh... - vai que gosta… -

Horse = Cavalo...

vi4

"oVo Bárbaro" marejou os olhos, quando, curioso, identificou meu gel de cabelo...

Lembranças difíceis, jovem com 20 e poucos anos, que viu todo o pelo cair...

- Acontece amigo!

- Alguém já achou pelo em ovo?

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Para distrair, liguei o som. E, ainda com os olhos marejados pela visão do gel, e uma invejinha básica de meus fios lisos e abundantes, "oVo Bárbaro" pediu que abaixasse o volume...

Não conheço ninguém que trabalhe tão bem com protetor auricular...

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E, comum, ficou satisfeito demais quando lhe ofereci um Ferrero Rocher...

Difícil achar uma pessoa que goste tanto assim de chocolate...

Talvez, seu sonho deva ser "ovo Bárbaro de páscoa"...

vi7

ahhhh...

E, sério, apesar de toda a minha galhofa, esta é uma homenagem a um amigo.

Tão importante para minha lucidez.

Mal sabe ele, o quanto ele trás serenidade para minha postura desequilibrada.

Se, um dia, nossa amizade for carregada pelo coelhinho da páscoa, dos nossos destinos, quero que saiba: tenho plena certeza que é um raro amigo de verdade.

E, entre nossos espasmos de conflito e afago, de nossos conceitos mais diversos e, proporcionalmente próximos, de todas as farpas, de toda a admiração… resta algo tão simples como um abraço. Apertado. Amigo.

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Eu sabia que um dia esse texto iria surgir.

Mas nunca imaginei que seria uma fotonovela cômica.

Obrigado por tudo Sr. Bárbara, aliás, “oVo Bárbaro”.

domingo, 23 de setembro de 2012

o carpir da esperança - povo-gado e o cabresto da democracia do interior do Brasil-Central

Meu trabalho me proporciona conhecer lugares que nem nossos representantes democráticos imaginam existir.

Todos aqueles olhares, quando torno-me presente, são um desnudamento de seu isolamento. São olhares curiosos, vis, agradáveis, suplicantes, desconfiados, esperançosos.

Mal sabem eles o quanto doem.

Há escondido no Brasil-Central uma infinidade de invisíveis, deslocados e absortos da realidade infame de grandes centros.

Uníssonos, tem o cotidiano na mais enfadonha espécime do padrão-vida.

Nascer.

Crescer.

Correr pelas ruas empoeiradas da infância.

Púbere, descobrir as leis instituídas pela sociedade conservadora.

Adolescer e sonhar com a transgressão.

Fantasiar um mundo fora daquelas cercas.

Curvar e submeter-se ao aceite daquelas cercas altas, inversamente proporcionais aos anos de estudo.

Os transgressores, o gado xucro, e poucos, transpõe aquele emaranhado de conceitos e valores doloridos. Estes, apaziguam o potencial transgressor, contentando-se ao subúrbio, as margens, abastecendo os carros que nunca terão. Contemplando e construindo as torres altas de condomínios para os quais nunca serão convidados.

Aos possíveis homossexuais, após o peso do conservadorismo, deve restar se travestir e frequentar o submundo da Paranaíba ou da região dos motéis na saída para Minas. É certo que alguns preferem um mergulho sem volta no Rio que passa lá de “trabanda”, cortar os pulsos ou deliciar-se com o sabor amargo dos agrotóxicos da fazenda do patrão dos pais.

A grande maioria resta carpir.

Entre uma colheita e uma ordenha, desfrutar dos prazeres carnais que o corpo proporciona. Arriar calças puídas e embebidas em odor de esterco. E, entre remanescentes de mato, nas margens de rio, no meio de um pasto, gozar.

Masturbar-se com desejos mundanos pela prima que mora na fazenda de coronel A ou B. Fantasiar com a filha da vizinha, Dona Joana, Maria ou Ana. Aquela mesma menina, que, quando sem seios, contemplava, companheira, a decadência da poeira depois da passagem de um carro. Aquela mesma menina que humilde esperava demais na submissão da vida o seu príncipe encantado.

Namorar em moldes da década de 70. Ou, fugir, de noite, para os fundos da única escola, desativada. Ali, sentir o prazer, que não imaginava que o descaso  com um espaço público pudesse propiciar. Ali, onde as meninas imaginavam outro fruto de seu sexo, passar uma vida, despejar o resultado do rompimento de seu hímen.

Os avós e pais são aqueles que, tal como a vingança num prato frio, saboreiam o pesadelo dos filhos de casar jovens e ter a mesma existência que tiveram.

E, deste dessabor, tudo se repete.

Casamento, sexo, falta de expectativa, filhos, desamparo, ausência de princípios básicos. Saúde e educação? Cadê? A poeira do conformismo de ruas esburacadas encobriu.

Trabalho no campo. O patrão é o coronel, seus filhos ou seus netos.

Invariavelmente envelhecem. Sem médico, numa espera infindável, numa fila, sem perspectiva, do único posto de saúde do povoado. O postinho - casinha de dois cômodos, que, há muito, parece não frequentada.

Não consigo desvincular daquela casa de saúde a imagem de uma caçamba de entulhos, abarrotada. Provavelmente, ali repousava desde uma reforma da década passada. Naquela calor que beira a insalubridade, num ambiente sem cor, empoeirado, destacava-se uma flor amarela. Grito de uma planta transgressora, que resolveu, infame, desafiar o presente e denunciar a quanto tempo aquele entulho estava ali.

Morrem. E descansam no único espaço daquele distrito onde patrão e povo-gado são iguais. O povo-gado debaixo de um amontoado de terra. O patrão na caixa fria de mármore. Tão fria como toda sua vida.

Este texto é fruto de uma visita a um povoado que visitei em função de um dano ambiental propiciado por uma empresa de mineração que se instalou ali. Interrompendo um ciclo sórdido que se repete a décadas.

O referido distrito tem cerca de 100 habitantes e pertence a um município que possui pouco mais de 2000.

Mas todo aquele gado está marcado.

Ferro quente em lombo empoeirado. Lombo suado, empoeirado e anteriormente marcado por trabalho e sol.

Surgiu como um aglomerado de casas de funcionários da fazenda do patrão. Desde então, o povo-gado, foi o potencial democrático para que o patrão, seu filho e seu neto, sucessivamente, fossem seus representante na câmara municipal.

Curioso que sou, em tempos de ficha limpa, descobri que o candidato de então era o neto do patrão. O futuro do povo-gado era a submissão ao cabresto no debute do neto. Em cuja rede social identifiquei álcool, esbórnia e nenhuma menção àquele rebanho.

Patrão está muito velho. O filho foi vítima de um de um projeto de lei de iniciativa popular, que reuniu cerca de 1,3 milhões de assinaturas. Desde os primórdios, conheceram, aquelas 3 vias, algo próximo a 1,3 milhões de pessoas? Creio que não.

Arrebatadores números. Entre 60 e 80 confissões de submissão, transfiguradas em voto.

O neto do patrão nunca morou ali. Nunca correu descalço por aquelas ruas esburacadas.

“- É Doutor. Estudou em Goiânia.”

Confidencia uma representante do povo-gado, desvinculada de uma realidade distante. Submissa.

Sempre converso muito com os moradores destes recantos do fim do mundo. Mas, naquele dia, tive um conflito interno e silencioso com minha interlocutora do povo-gado.

“- … um absurdo, a filha da Joana do Tião, resolveu candidatar este ano. Um absurdo. Mulher. Tem 2 filhos. Tem que ficar em casa. Um abuso, coitada, sempre disseram que tinha problemas. Absurdo, absurdo…”

A interlocutora era do sexo feminino.

Acredito que nunca vou me esquecer daquelas palavras. É como se o movimento de seus lábios estivessem impressos em meus olhos.

E a Candidata? Sem dúvida ela tinha problemas. Ela não queria ser comum. Ela não queria olhar-se no espelho e enxergar uma vaca. Ela não queria que todo aquele gado estivesse submisso, sujeito a marca de ferro no lombo. Ela queria romper as trancas da porteira daquele curral.

Passei cerca de 5 horas perambulando pelo curral. E meu desejo, era que ante o gado eu pudesse trocar algumas palavras com a Candidata.

Era cada vez mais escuro. Num desespero, por todos os cantos, abaixo de cada resquício de rocha, eu só queria encontrar toda a esperança do mundo, daquele mundo. A Candidata…

Por entre berros e grunhidos, descobri que seu filho estava doente. Ela, mãe prudente,  buscava o que o posto municipal não tinha a lhe oferecer.

A interlocutora me acompanhou por toda a visita a cidade. Conversava com todos. Conhecia todos. Era parte daquela família desesperançada. Humilde, sempre com olhos baixos. Ante cada cumprimento, cada aceno para suas comadres ou compadres, eu via um berro de vaca. A cada cafuné em criança, com ranho no nariz, eu via aquela lambida fraternal de vaca que retira a placenta de bezerro recém nascido.

Nos meus pensamentos mais mundanos, imaginava aquele touro cheirando a esterco e sujo. Recostando e, bruto, entre cabeçadas e berros,  inseminando-a.

Ele, a trabalho do patrão, devia produzir novos descendentes férteis. Eram bezerros-votos. E da sua ordenha das filhas-novilhas, provinham votos. Reflexos da democracia.

Ela e todos eram um amontoado de carne, torresmo.

O patrão só comia picanha e filé.

E eu, cada vez mais diminuto, era carne moída.

O patrão é apenas um ruralista. Vereador. Meu Deus, vereador. (Não sei nem como descrever o meu escárnio.)

Parafraseando Orwell: eu olhava para para todos os lados, confuso, aflito, e só conseguia enxergar gado.

Infelizmente, constato que a Candidata não irá vencer o padrão da democracia do interior do Brasil-Central.

O futuro vereador, o neto, deve estar se embebedando, num fim de domingo, em algum barzinho do Marista ou Bueno.  Ou no Goiânia Shopping, Flamboyant? Afinal na rede social ele curte a Fórum, a Lacoste, a Cavaleira e diversas outras futilidades, que confesso, também me permito.  Entretanto, o meu dinheiro, não é fruto amargo de suor de curral.

E, povo-gado espera a ordenha matinal, que, no tempo dos homens, tem gestação de nove meses e resulta em voto a cada 2 anos.

leite

doses agridoces de ontem e hoje – essas mulheres

Já frequentei tantas festas mundanas na noite que não me atrevo a contabiliza-las. Notívago, o explícito anuviado da noite me atrai mais que o incerto asseio do dia.

Digno de pena são aqueles que dependem do sol. Quão excitante é o brilho das sombras!

E, no brilho da noite, resta a máxima do filosofo: ser é perceber e ser percebido.

Ela, dançava. Sublime, desfilava a delicadeza de cada gota de seu estrógeno. Um certo descompasso entre o movimento dos braços e pernas não era o foco. Ela, salientando novamente a delicadeza, tinha toda a debilidade covarde e apurada que só o clitóris feminino pode conferir.

E ali, onde, todos, aceitos, eram meros objetos de uma vibração sonora, débeis, porém habilitados a luta, fomos covardes. Ela era o centro. Percebi que ela era o usufruto da galhofa.

O sangue é o destroço da esperança da vida.

E, ela, absorta ao som, não percebia que aquela mancha vermelha na sua saia branca, maculava tudo que todo o tempo procurávamos. Aceitação.

Eu, você e todos que ali estavam somos o resultado daquele sangue que não escorreu. Aquele líquido, que manchava o tecido branco, foi o que nossas progenitoras, mães, não perceberam depois de um ciclo menstrual, quando éramos um mero amontoado de células no seu útero.

Tímido, enfrentei a omissão perversa de todos aqueles espectadores.

Abordei. A coloquei a par daquela situação.

Aflita e constrangida, não menos que eu, ela abandonou a pista. Pouco tempo depois, aquele lindo representante de toda a feminilidade, após um singelo beijo no meu rosto, cruzou a porta de saída.

E, todos os espectadores, órfãos da chacota, continuaram, alienados, no nosso mundinho, nada complexo de balançar braços e pernas.

Todos sabíamos que ela não tinha um amontoado de células no útero. Talvez, nunca viesse a ter em função de sua orientação sexual.

Quanta vida há em todo aquele líquido viscoso que escorre do útero das mulheres.  Nada mais vivo que aquele velório mensal.

sábado, 22 de setembro de 2012

“que seja”: a plena felicidade fora dos limites do céu

Hoje sou amplificador de palavras bonitas.

“Contar uma história que nos aproxime é a melhor resposta que podemos dar a quem usa as palavras para aumentar as distâncias.”

O Lêmure, de minha vida, é o tecelão do meu conceito de limbo.

Limbo:

“um lugar para onde iriam as almas inocentes que, sem terem cometido pecados  mortais, estariam para sempre privadas da presença de Deus, pois seu pecado original não teria sido submetido à remissão através do batismo. ”

 

Inocentes,

deitamos juntos,

e foste sibila.

Sibila de meus instintos mais perversos.

Em riste,

fui submetido a remissão.

Ademais,

do que vale,

o pecado original?

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O Coelhinho Pipoco

Essa fábula era para ser insana.

E é.

Era uma vez um coelhinho chamado Pipoco.

Pipoco era assim: todo cheio de abstrações.

Num belo dia, mas não tão belo porque fazia um calor escaldante e o tempo estava abafado, Pipoco sentado na cama, olhava os deditos do pé, aquele pé de coelho, sabem?

Não sabem, ninguém nunca pode saber como são pés de coelho. Sorte sua, azar do coelho.

Os deditos esticados, encolhidos, esticados, encolhidos, dedos de coelho.

Pipoco olha para um lado: taças.

Olha para o outro: idéias! Geladeira, geladeira, vodca no congelador, Pipoco pensou: oi,ai, eu bebo hoje. Oi, ai, vodca gelada e translúcida, vodca brilhante na taça, deditos retraem e esticam, retraem e esticam, oi, ai, é hoje, no calor de hoje.

Pipoco e sua mente brilhante tomam a taça, escorrem o líquido tão mais claro que água, denso e venenoso.

Oi, ai.

É hoje que eu me perco, pensou Pipoco.

Perder, perder o sono, o rumo, a hora, o jeito, o cômodo, o nexo, porque perder é tão bom.

Quem perde ganha, veio uma voz assim de dentro de Pipoco dizendo isso tudo e ele exclamou com um arroto: oi, é comigo? A consciência: sim, sou sua diaba.

Daí Pipoco pensou.

Pipoco?

Não, um pouco.

Ah, consciência diaba, oi, ai.

Bebo mais.

Bebo pelo que não tem nome, nem voz, nem vez.

Bebo pelos mínimos, pelos múltiplos, pelos coiotes de olhos brilhantes e faiscantes, bebo pela vizinha esquizofrênica, pela puta flácida, pelos méritos e fracassos, pela libertação, bebo pelo beber.

[arroto]

Pipoco pensou, pensou, deditos retraídos e esticados, calor, oi, ai, a Florence não calando a boca, Florence gritando, gritando.

Não cala essa boca, sua diaba!

Moby, Moby, oi?

Tudo já era a diaba.

Pipoco pensou, não pensou, porque Pipoco as vezes precisa não pensar e saiu noite afora, noite adentro, noite-dia, noite quente, noite.

Se não há nexo, viver no anexo nem parece desconvexo.

Faça qualquer coisa. amplexo, sexo, concavo, convexo.

Moral da estória: se você não tem rumo, não precisa saber nenhum caminho , não chegue a lugar algum.

Alexandre Nasser, o lêmure no limbo.

_________________

Resumo: “coloque isso: que seja”

Duas palavras bonitas Pipoco?

Por pouco!

Louco!

_________________

Non, Je Ne Regrette Rien

Non, rien de rien,

non, je ne regrette rien.

Ni le bien qu'on m'a fait,

ni le mal, tout ça m'est bien égal.

Non, rien de rien,

non, je ne regrette rien,

C'est payé, balayé, oublié,

je me fous du passé.

Avec mes souvenirs,

j'ai allumé le feu.

Mes chagrins mes plaisirs,

je n'ai plus besoin d'eux.

Balayés mes amours,

avec leurs trémolos.

Balayés pour toujours

je repars à zéro...

Non, rien de rien,

non, je ne regrette rien.

Ni le bien qu'on m'a fait,

ni le mal, tout ça m'est bien égal.

Non, rien de rien,

non, je ne regrette rien.

Car ma vie, car mes joies,

Pour aujourd'hui

ça commence avec toi

Non, Je Ne Regrette Rien (Tradução)

Não! Nada de nada...

Não! Eu não lamento nada...

Nem o bem que me fizeram

Nem o mal - isso tudo me é igual!

Não, nada de nada...

Não! Eu não lamento nada...

Está pago, varrido, esquecido

Não me importa o passado! (2)

Com minhas lembranças

Acendi o fogo (3)

Minhas mágoas, meus prazeres

Não preciso mais deles!

Varridos os amores

E todos os seus "tremolos" (4)

Varridos para sempre

Recomeço do zero.

Não! Nada de nada...

Não! Não lamento nada...!

Nem o bem que me fizeram

Nem o mal, isso tudo me é bem igual!

Não! Nada de nada...

Não! Não lamento nada...

Pois, minha vida, pois, minhas alegrias

Hoje, começam com você!

Começa com você

 

sábado, 15 de setembro de 2012

tratado de mundos diferentes–anômalos sentidos

Mas,

foi um homem abominável.

Pois,

ante meus “ah, sei, e daí?”

Teve os “também acho”

E dos nossos olhos,

que involuntários,

serão

banquetes de vermes…

partiram mutuas

a transgressão

e uma réplica de desprezo.

Assim,

vice e versa,

crônicos,

longevos

e lentos.

Tão vastos que os homens não foram capazes de mensurar.

Mambembes.

cismamos em burlar

arquitetamos devaneios

e avulsos,

convictos,

descrentes,

estamos seguros.

Procuramos como refúgio

a incerteza da crença.

E somos devotos de uma incredulidade

lambuzada de curiosidade,

discreta

 

“Tiras atraso?”

“Masturba-te?”

 

“Bacanal pós prece?”

“Ou,  solidão pós desvario noturno?”

 

Perambulamos,

juntos,

de braços dados,

num contato assexuado,

desinteressados,

entre os ritos e os pecados.

E não sei se podes mensurar o quanto te tenho respeito e admiração.

Feliz em meu desconforto.

Angustiado pelo teu alento.

Sou réu?

Jurado?

Ou, vento?

Enfim:

Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.

Desconexo de plano celestial.

Boêmio,

tolo,

etílico,

desinteressado,

surpreendo-me.

Livro de letras pequenas.

Leitura intrincada

escabrosa

escura.

A lei não legislada.

Ademais,

sou o avesso daquele verso,

sobremesa insalubre de terço.

Sou fruto de fé católica mineira.

Anárquico

sem leis

começo.

E já tive a face estapeada por confissão.

Quem é Deus?

Deus?

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...

Com medo?

Fingia história

Era um dia-a-dia azedo

Eu era a escória.

E do mantra,

Se seu Deus é amor,

porque você prega tanto ódio?

Descobri que o antagonista talvez repousasse

detrás das lentes grossas

daquele

que via todo dia no espelho.

Severo.

Cru.

Feroz.

Crítico

Dissimulado.

Ele era avesso,

era contraponto.

Era ali

bem na transparência da retina

que subversivo e malévolo

guardava toda a divergência

contraproducente

aos meus sorrisos.

Abatido e mortificado

eu soube

que o disfarce

caiu.

"

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

"

Para uma aceitação que jamais sonhei.

Juro,

que bêbado,

cheguei em casa,

li o Livro.

E tive vontade de compartilhar com você minhas angústias.

Eu vou ensinar-te sobre meu mundo

Como ensinou-me.

“Porque você nunca me falou? … foram 4 anos.”

Porque o cara,

ali além do espelho,

me ensinou a ter preconceito.

Não está de todo errado.

Mas há de enfrentar sua “aberração”.

Acaso,

sabe o que é ter dedos apontados?

sabe o que é ter medo de aglomerados?

sabe o que é ter amigos maltratados?

humilhados?

mortos?

Eu sinto tanta falta.

Mantenho sorriso no rosto.

E,

obrigado amigo,

é muito importante

para que eu compreenda o que significa

o termo mais anômalo

entre nossos dois mundos:

Aceitação.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

o presente e o mais verdadeiro clichê.

A questão:

“- E aí, ganhou muitos presentes de aniversário?”

Desembrulho:

Nenhum

embrulhado em papel celofane,

nada de fitas.

Ganhei o som do despertador nesta manhã.

-

“Comemorar aniversário?

Estranho né!

Comemorar idade,

rugas!

Comemoremos!

o passar do tempo,

que não perdemos.”

-

Pseudo-intelectuais adoram o termo: “clichê”.

Clichê?

“É uma expressão idiomática que de tão utilizada, se torna previsível. Desgastou-se e perdeu o sentido ou se tornou algo que gera uma reação ruim, algo cansativo em vez de dar o efeito esperado ou simplesmente repetitivo.”

-

Voltando aos meus presentes:

Ganhei o prazer de conviver com a família mais gostosa que escolhi,

meus amigos.

Ganhei:

meus fim de semanas deliciosos,

meus porres tresloucados,

minhas baladas pitorescas,

minhas lembranças que não precisam de foto,

todo um temporal de nostalgia ouro-pretana.

Ganhei a saudade de ter vivido

tanto e tudo,

e tudo.

Ganhei o prazer de esquecer de sentir saudades.

Saudade é o sentimento de falta

de espaço.

Mas quando foi completo?

É nostalgia,

não saudade.

Sou fácil

presenteiam-me todos os dias

sou de riso fácil.

Dou risada de desespero.

Choro de felicidade.

Não tenho direito de dizer

que não sou

uma das pessoas mais felizes do mundo.

E, quais são meus desejos?

Eu que não ligo para o que pensam de mim,

antes de postar a cabeça no travesseiro,

espero somente um abraço,

um chamego apertado,

um selinho no rosto.

Há presente melhor do que ser aceito.

Há?

Ademais, obrigado.

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blogblog2blog3

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E,

nas linhas de caderno,

tortas,

talvez,

os traços foram nossos,

os borrões,

acontecem.

No nosso “Aurélio”,

“pai dos burros”,

relevar

voa como resquícios de borracha sob ação do dorso da mão.

Viver é saber usar corretamente o “errorex” do tempo.

E,

por onde andei,

meu maior presente,

foram os amigos que deixei.

Vocês.

-

Não malho.

Tenho a vista de minha janela.

Sou chato.

Não tenho desejos.

Quero apenas o que vocês podem me dar.

Corro apressado do tempo que me resta.

Desimportante.

E,

por ser igual a tantos,

nasci diferente.

Covarde,

porém atento,

do drama,

fiz dentes amarelados pela nicotina,

expostos

meu intento.

Devoram os meus sentidos
Eu já não me importo comigo
Então são mãos e braços
Beijos e abraços
Pele, barriga e seus laços
São armadilhas e eu não sei o que faço
Aqui de palhaço, seguindo os seus passos

Amigos,

são a família que escolhemos.

Clichê?

Previsível e repetitivo.

Família.

Segredo,

minhas confidências:

Gosto de garotos.

Eu amo meus pais.

Mas nos repreenderíamos ou ririamos juntos.

E quando voltaríamos a nos encarar?

Seria o silêncio conivente de uma descoberta?

Ou o soluço de atenção?

Daquele que acabas de salvar de uma catástrofe.

E seria fácil limpar todo aquele leite derramado?

Atentar para todas as mentiras baratas?

Proferir “Amém”?

Só me resta este silêncio.

Em algum lugar eu perdi meu conceito mais primordial

família.

Vocês,

denunciaram meu eu.

E firmes,

ofereceram seus ombros

no meu desbaratado descalabro.

Eu gravo na minha capa,

cada momento em que riram quando eu ri.

Meus demônios são rotos e fajutos

passados.

Eu sempre caminho sozinho

entre desconhecidos

que não fazem a menor ideia do que se passa dentro de mim.

Não sabem de mim

e não tenho ressalvas

mistério

segredo.

Eu tenho uma sensação de que,

a qualquer momento,

eu posso sumir.

Minha melhor conquista é mimetizar-me.

No mais,

meu desejo

é ser transparente.

Em vocês eu descubri a fórmula do elixir da invisibilidade.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ser sexy

Trecho de:

"Ser sexy - Léo Aquilla"

"

Queremos um homem perfeito!

uma Mulher sem defeito,

cortada,remendada,implantada não importa!

conteúdo pra que?

o que queremos é aparecer!

escandalizar

ser sexy

para Iludir ou Encantar!

Sair na capa das revistas!

ganhar a vida fácil fingindo ser artista!

Somos o pais das bundas!

e pensamos com a cabeça de baixo!

Uma mulher para se dar bem, não precisa ser formada!

ela tem que ser SILICONADA!

e nada comportada!

Essa mensagem veio em forma de poema!

para dizer que pena,

pois no mundo onde a prioridade e ser linda e sensual!

não se cuida do espiritual!

mais atenção!

tudo passa!

e quando os tempos forem de amor e conteúdo,

quem cuidou do espirito

é quem vai estar com tudo.

esta historia de BBB é tudo blábláblá

eu quero ver quem vai fica!

sobreviver e se estabelecer.

nem tudo é grife

carro do ano e formas perfeitas,

é melhor começar a cuidar do interior

pois quando ele voltar,

vai perguntar,

Inhai sexy!

Quanto é 2+2?

e nem 4 saberão responder

é nessa hora que quem cuidou do espirito será reconhecido,

e aplaudido.

mais ainda há tempo

e essas palavras podem soar como um alerta em alguns corações,

de qualquer forma eu só queria disser!

Seja SEXY EM ALGUM MOMENTO

prefira ser Bonito Por dentro!

Poema By: Léo Aquilla

leo

Parabéns e valeu por tudo Léo Aquilla.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

das incontáveis páginas guardadas…

Snapshot_20111007_33

De todos meus vícios, que são muitos, ultimamente, o que mais me consome é a escrita.

Muitas das minhas respostas estão em  páginas rotas, impregnadas de tabaco. Riscadas, rasuradas, sujas. Ademais, nunca completas. Aliás, não há nada completo. Nunca haverá. Completo é a sequência de crônicas, contos, versos e frases soltas, já escritas desde o primeiro traço tribal.

Da introdução das próximas 3 doses do Momentos desinteressados: "Já frequentei tantas festas mundanas na noite que não me atrevo a contabilizá-las. Notívago, o explícito anuviado da noite me atrai mais que o incerto asseio do dia. "

Sei que no “Brasil ideb”, ler e escrever tornou-se medíocre. Algo que se tem até uma pontinha de vergonha. Sim vergonha. Receio do rótulo: arrogante pseudo-intelectualóide.

Intelectualóide?

Numa pesquisa banal do oráculo moderno fui apresentado ao termo/conceito. ( “Qual a diferença de um intelectual e um intelectualóide?” )

Sou um ignorante. Não que seja humilde, longe disso, meu ego ultrapassa todos meus caminhos.

Nunca consegui entender a regra das crases. Sou um péssimo acentuador de palavras.

Não escrevo bem. Nunca serei o “Juber Henrique Andrade Assis de Alencar”.

Escrevo mediocridades, fatalidades, bestialidades e futilidades.

Desculpe-me. Alguns fumam ou bebem ou malham ou são felizes ou arrotam ou julgam ou simplesmente passam.

Eu fumo, bebo, nunca malho, não sou feliz, não sou triste, arroto sim e peido também, mas eu não julgo, das linhas analiso.

Eu não estou a passeio, eu, como você e como todos deveriam, quero fazer alguma diferença.

O que publico, são trechos, um nada, meu nada, só meu…

A minha intelectualóide realidade.

Mas há o que se escreve e que não se partilha, há o que nasceu para ser póstumo…

E eu gosto disso, do poder de ler o que é só meu. Um meu egoísta que diariamente beija o asfalto.

Das letras, enamoro-me de paradoxos e antíteses, tão diferentes e tão semelhantes. E de tudo, arrogante, deixem-me ser eu.  O garotinho criado com cuequinha branca na casa de vovó.

sábado, 11 de agosto de 2012

pulsos cortados dos insones–epistaxe

“Calada noite preta, noite preta”

o trabalho dignifica o homem....

o rivotril e o energético sustentam a rotina....

náuseas

vômitos

tipo vertigem: vida.

Homem.

há tempos,

da vida

sou usufruto de carne

adoção dos ossos untados.

Dos meus sorrisos,

resta enlaces,

semideciduos

verdades / surpresas /pavor /ilusões.

Fui abatido por foice,

vara de condão da morte,

e do sangue que escorre fresco,

lento,

feito vazão da brevidade dos arco-íris,

sinto cheiro de despertar

suado

em madrugadas quentes

secas.

Sangue de septo-nasal

cheira sorriso de bruxa

flatulência de fadas.

Afobado

meus pulsos continuam intactos

meus planos continuam quebrados

Dos fatos?

Epistaxe.

Restam 3 horas de sono,

meu sorriso forçado,

banho de gato,

cabelo ensebado,

fármacos liberados,

lençol e fronha ensopados,

vermelho,

salgado….

Saudade de casa e ansiedade depravada.

(Quando, a umidade do ar, causou epistaxe. Despertei incerto de vida. Tive medo. Goiânia, 02:24, 11/08/12, sujo de sangue.)

_________________________________

 

Epistaxe, epistaxis ou hemorragia nasal é o nome dado a qualquer perda de sangue pelo nariz, geralmente pelas narinas.

domingo, 22 de julho de 2012

deturpação entre 4 paredes / a dedetização reversa / é público / temor da rua / tá com medinho? / é preciso estar atento e forte! / o “Pirigo”, tá lá

 

FATO: 

“Em razão da deturpação da finalidade, o evento semanal “Grande Hotel vive o Choro”, de iniciativa da Prefeitura de Goiânia, será suspenso a partir de hoje (20/7) e passará por uma reformulação.”

Fonte: Ministério Público de Goiás.

CONTRA FATO:

“Quem saiu de casa nesta sexta-feira (20/7) com destino ao Grande Hotel para assistir às apresentações culturais ao ar livre do projeto “Grande Hotel Revive o Choro” se deparou com uma operação de policiais e guardas, carinhosamente apelidada por mim de operação dedetização. O Chorinho foi suspenso e deve passar por reformulação. Esses policiais estão por lá para dar o recado ao “público-problema” (nas palavras de um coronel) e limpar a área. Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Secretaria de Cultura e Corpo de Bombeiros foram quem decidiram por esta suspensão em reunião. Antes mesmo da reformulação, eu digo a todos vocês que participaram dessa reunião, enquanto cidadã, da perspectiva da platéia e artista, de quem sobe ao palco: vocês tomaram uma decisão errada.


A justificativa pela suspensão do projeto, de acordo com a nota do Ministério Público é a “deturpação da finalidade do evento”. Reescrevo para vocês, com todas as palavras do documento. “A reformulação visa garantir segurança ao público que aprecia o ritmo musical, retorno da tranqüilidade aos moradores daquela região e, em especial, coibir as diversas irregularidades e atividades criminosas que estão acontecendo no local, como tráfico e uso de drogas, venda de bebida alcóolica a adolescentes, perturbação ao sossego público, prostituição, entre outros”. Eles reclamam, ainda, do público que permanece no local, ao fim dos shows, fazendo som com atabaques e tambores.


Eu não sei qual Centro os participantes dessa reunião vêem pela noite quando por lá circulam. O que eu vejo, há muitos anos, é um bairro cheio de história, em cada esquina; beleza e nostalgia em cada Art Déco, mas que vem sendo jogado às moscas. Um espaço em que há, por todos os cantos, prostituição, tráfico e uso de drogas e adolescentes bebendo álcool. Um setor que, ao fechar das portas do comércio durante o dia, se torna um setor perigoso e desumanizado. Os problemas, identificados no Chorinho, simplesmente moram no Centro.


De dar medo de esperar por ônibus na Avenida Tocantins depois de assistir a uma peça no Goiânia Ouro. De apresentar perigo estacionar na Rua Dois e descer a pé até a Avenida Goiás. Com ou sem Chorinho. É esse o Centro de Goiânia. O projeto “Grande Hotel Revive o Choro” era o único projeto cultural permanente (digo por ser semanal) nas ruas, de cunho público e gratuito. E mais, central, com a possibilidade de atrair pessoas de todos os cantos da cidade. Esse projeto era uma das únicas esperanças de se começar a humanizar a noite desse Centro, porque começa pelas ruas. E todo mundo tem medo do que acontece nelas. Por quê? Porque é lugar de todo mundo. De rico, pobre, drogado, prostituta, gays, héteros, idosos e crianças. E isso assusta.


O primeiro parabéns que recebi no último show dos Passarinhos do Cerrado, que por acaso foi na última edição do Chorinho antes da suspensão (última sexta 13), foi de um mendigo. Ele estava emocionado com o show, bêbado e, depois de me dar parabéns, pediu a cerveja do meu amigo que conversava comigo. E saiu, sem atrapalhar ninguém. Esse mendigo não assistiria a esse show se não fosse nas ruas. Mesmo que de graça, ele não entraria nem no Goiânia Ouro, nem Teatro Goiânia nem mesmo dentro do próprio Grande Hotel. E todo mundo sabe disso.


A rua é temida em Goiânia. O espaço mais difícil de se ocupar; ainda mais culturalmente. Ou alguém aqui se esqueceu do Carnaval de 2009 quando havia festa nas ruas da Avenida Araguaia e artistas e público foram agredidos por Policiais Militares de forma absurdamente covarde? A justificativa daquela vez (assim como desta do Chorinho) era esse tal “público-problema”. O público que aparece quando as festas são nas ruas. O público que está sendo varrido nesse momento.


E, ainda, qualquer manifestação cultural que provoque barulho em Goiânia tão logo é taxada de “perturbação ao sossego público”. E quem disse que o povo daqui quer sossego numa sexta depois de expediente? As três mil pessoas que estão nas ruas da Avenida Goiás querem arte. Querem se divertir. E arte não é, nem nunca será sinônimo de sossego. Até quando o sossego público será mais importante que as manifestações artísticas? E, todos nós sabemos bem, que o local é muito mais comercial que residencial. Deve haver muito mais moradores reclamando de barulho e perturbação Marista e Bueno afora.


Caros participantes da reunião que tomaram essa decisão, a operação que vocês deveriam empreender era a de combater todas essas criminalidades apontadas na nota que acontecem em todo o Centro, onde sempre existiram, diariamente, há muito tempo. E isso não se faz com a força da polícia. É um problema que envolve todo o Estado. Vocês não vão suspender esses problemas ao suspender o Chorinho. E se por acaso estão pensando em levar o projeto para algum lugar fechado (ainda que público, ainda que gratuito), já digo, não será o Chorinho, será qualquer outra coisa cultural. Não será democrático da mesma forma.


Não será justo com os goianienses que há muitos anos batalham por esse projeto e por esse espaço (passando pela compra do Grande Hotel pela prefeitura quando INSS era o proprietário e queria transformá-lo em agência e pelo enfrentamento dos escândalos de corrupção dentro da Secult que paralisaram o projeto). Não passará de uma covardia, esquivando-se da rua e dos seus problemas. Vocês estarão fechando os olhos para os problemas que habitam o Centro há muitos anos e que, inevitavelmente, estariam presentes no Chorinho.


O que deve ser compreendido é que o Chorinho está aí para humanizar o Centro. É uma das ferramentas para combater todas as criminalidades que lá existem. O Centro deve ser, cada vez mais, ocupado e não temido. Num raio de dois quilômetros temos: Teatro Goiânia, Teatro Rio Vermelho, Goiânia Ouro, Mercado Central, Mercado da Rua 57, Martim Cererê e Grande Hotel. Os espaços não dialogam entre si. E, pior, mais da metade está parada ou com má ocupação cultural. E um dos únicos projetos ainda em funcionamento está, a partir de hoje, suspenso. Porque as ruas são temidas assim como certos tipos de cidadãos que as ocupam irrestritamente. O Centro e as ruas devem ser, cada vez mais, humanizados e não dedetizados.”

Fonte: Coluna de Nádia Junqueira no site – aredação.

(grifo meu)

REVERÊNCIAS:

 

Nádia Junqueira

Com ou sem Chorinho. É esse o Centro de Goiânia.

IRONIAS / FALSAS VERDADES / VERDADES INCONVENIENTES:

Demóstenes Torres volta ao trabalho no Ministério Público de Goiás

Senador cassado passou duas horas no órgão, na manhã desta sexta-feira.
Ele preferiu não falar com a imprensa e recebeu a visita de um promotor.

Fonte: G1-Goiás

 

ODE:

.

PARA QUEM SE PREOCUPA :

com que roupa?

Pois é….

 

CONCLUSÕES:

O Marconi Perigo tá lá!

É preciso estar atento e forte!

E,

o Ministério é Público!

“Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte ”

-

“Atenção, precisa ter olhos firmes”

Há tempo de temer

que a admiração transforme-se em decepção.

domingo, 15 de julho de 2012

releituras: esquivando da verdade do mundo imundo / esperança / cometendo a eutanásia de meu escudo

 

Para ser compreendido

Cada estrofe é inevitável

---livre---

643 dias depois de “incorretos sob perspectiva de Deus

Eu transcrevo o texto de 11/10/2012:

 

incorretos sob perspectiva de Deus

MULTIDAO

hoje morreram Antônios, Marias e Robertos

Terezas, Paulos e Júlias.

hoje morreram pais, mães, tios e avós.

Irmãos, netos e filhos.

mas, hoje sou um pouco menos desiludido de gente

hoje sou mais velho escorrendo pelos dedos antes de chegar ao gozo

lembrar de gente que nem ao menos ouviu meu verborrágico “oi”

estúpida humildade sórdida de pensar que não estou sozinho

Hoje eu choraria em festa, mas resolvi dançar em velórios.

Enfastiado, morro, cada dia, um pouquinho mais, e mais.

Pareço plástico. Rígido, limitado.

Que tirem meus documentos.

Sucumbo ao fracasso de cada esquina em que as prostitutas fumam.

espatifado por veracidade falsa,

minha identidade me pega… me sova… me julga…

esbarro em foragidos da verdade de mundo

imundo

realidades abstratas de sonhos que não acredito

e não acreditar em sonho

é morrer um pouco mais

e mais

e mais

depois há, ainda, um outro mal-estar de descobrir que o coração bate

de descobrir súbitas mentiras para ti mesmo

e morrer um pouquinho mais.

eutanásia é o cúmulo de lucidez

e Dostoievski me disse que quando se perde o medo da morte se é Deus.

meus, momentos, filhos sem pai, órfãos

hipócritas tratam seu ofensor com bondade

contundente é saber que eu morrerei sem entender absolutamente nada do mundo.

dos homens.

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( eu escrevo o que quero que não entendam, mas cada palavra tem seu dicionário interior, seu medo, sua fúria, seu pecado, sua verdade e sua mentira. tudo bem, não sinta meus olhos e nem estenda-me os olhos )

---livre---

E depois, antes e agora:

[...]Sem esperança esses "nós" desistem. Eu sei que não se pode viver só de esperança, mas sem esperança não vale apena viver

Harvey Milk

 

Harvey Milk–Hope

---livre---

Tradução da aceitação do Oscar de melhor roteiro original pelo filme MILK para Dustin Lance Black...


Ele disse:

“Quando eu era pequeno minha mãe me retirou da igreja (conservadora) dos mórmons no Texas e me mostrou a historia de Harvey Milk na Califórnia. Isso me deu esperança que eu poderia viver a minha vida, viver a minha vida abertamente sendo quem eu sou e também me deu esperança que um dia eu poderia sentir amor também e se casar...”

Aplausos...

“Eu gostaria de agradecer a minha mãe que sempre me amou do jeito que eu sou mesmo ela tendo sofrendo pressão para não me amar assim...”

Pausa...

“Mas o mais importante de tudo, e que se a 30 anos atrás Harvel Milk não tivesse sido tirado da gente (ele foi cruelmente assassinado por homofobia) ele gostaria que eu dissesse agora para todos/as crianças, jovens e adolescentes lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais por todo o mundo os quais escutaram das igrejas e do governo ou pelas próprias famílias que eles não tinham valor, Harvey disse que nos todos somos criaturas maravilhosas e temos valores incríveis e não importa o que qualquer pessoa diga sempre saiba que DEUS te ama e eu te prometo que mais cedo do que tarde nos teremos direitos iguais em nossa grande nação a nível federal. Thank you e obrigado a Deus por ter nos dado Harvey Milk”.

Aplausos...

Fonte: http://milk.gay1.com.br/

---livre---

Mas há esperança:

http://quemsaoeles.tumblr.com/

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difícil distanciar-se da proteção do armário

Mas há de se ter coragem

Ser homem

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/01/pedro-e-joao-historia-de-dois-meninos-gays-e-uma-infancia-devastada.html

Ser “Pedro” não é fácil.

228 comentário em 6 meses

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São por eles:

https://homofobiamata.wordpress.com/

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É com um nó na boca do estômago

Que eu fecho esta postagem

Não quero sentir saudades do meu armário.